Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

Joaquim Cordão, o caubói de Morrais City

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Morrinhos é uma bela cidade, mas bem que poderia ter sido chamada de Cidade dos Pomares, tanto era a sua riqueza no plantio e cultivo de árvores frutíferas. As lendas que ouvia, casos, causos e percalços da vida, uma delas vou contar nesta crônica. Então, com o pensamento alhures sento em minha poltrona giratória, desligo o celular, olho o monitor, dou uma pequena pausa e fico aguardando os flashes que guardei na região recôndita do meu cérebro e que há muito tempo não o exercito para essa finalidade, ainda mais pra falar de um caubói regional, excelente boiadeiro, domador de cavalos, bravo, destemido, temido, assim como, dos meus ídolos, ou personificação deles quando os via nas telas de cinema. À minha frente o computador. Ligo-o. Penso. Forço a memória e os flashes em preto e branco vão surgindo na velocidade da luz trazendo recordações de tempos idos.

Lembro-me bem de um caubói regional, lá pelos anos 60, de nome Joaquim Cordão, que sempre trajava uma calça de algodão, camisa xadrez, cinto grosso, de couro, chapéu Panamá preto, botas, esporas e não se amedrontava quando tinha que enfrentar adversidades que a vida lhe impunha e até de domar alguns cavalos de raça. Ele possuía uma exímia pontaria e isso por si só, já trazia certo respeito por onde passava. O seu jeitão de ser e o modo como fazia para transformar a sua própria vida numa grande aventura virou lenda. Talvez seja em razão disso que lá pelas bandas do Rio São Domingos dos Olhos D’água ele tenha sido apelidado pelos moradores de “cowboy de Morrais City”, uma brincadeira dos moradores mais afoitos e quiçá, por ter ele nascido em Morrinhos. Á época, todos o achavam igualzinho aos caubóis, principalmente aqueles que nos encantavam nas telas de cinema e que hoje não se vê mais, pois as cenas de hoje mostram o homem passando ano todo andando quilômetros e mais quilômetros por estradas afora, algumas solitárias, dirigindo uma caminhonete, um carro de passeio ou caminhão de carga correndo atrás de reconhecimento, seja sobre o pó, asfalto ou nas chuvas das arenas. Hoje vemos Cowboys e cowgirls apenas nos rodeios e festas de pecuária, eles, jogando charme às moças, elas, aos azes dos rodeios, um estilo de vida totalmente diferenciada dos caubóis antigos que causavam frisson quando apareciam nas telas de cinema.

Desde a adolescência Joaquim se achava um caubói, talvez influenciado por aqueles grandes ídolos e personagens, tais como, John Wayne, Terence Will, Kirk Douglas, Steve MacQueen, Burt Lancaster, Paul Newman, Gary Cooper, James Stewart, Clint Eastwood, John Ford, Lee Van Cleef, Billy the Kid, Kid Colt, Zorro e até por Gordon Scott (Tarzan), O sonho não era só dele, era meu também e todos os adolescentes tinham os seus ídolos. De alguma forma aqueles ídolos nos fortaleciam, ajudavam a gente vencer na vida, bater recordes, superar desafios e viver momentos de glória. As rápidas explosões de ação de cada personagem, o perigo que ocorria durante suas aventuras, a extraordinária perícia no manuseio do revólver e a versatilidade do cavalo quarto de milha, faziam sucesso junto com o personagem, bastava um assovio e o animal se aproximava. Isso fascinava a platéia.

Hoje, a tendência é vermos uma geração de crianças e adolescentes viciando-se em vídeo game, tablete, celular e outras parafernálias eletrônicas, sem falar no uso de drogas, que os tiram do foco, de um futuro mais promissor e jamais seriam nossos cowboys do futuro. Ademais os filmes de terror, a guerra, a violência explícita, o terrorismo, não só alcançam pessoas de maior idade, como também menores que saem atirando em colegas de escolas; filhos assassinando pais e vice-versa, tudo isso gerado pela TV. É assustador! Maléfico! Estas cenas estão trazendo distúrbios mentais para muitas crianças e jovens, que dominados por algumas delas saem matando sem uma explicação plausível, sem pena ou dó daqueles que encontram pela frente. Ser cowboy não é isso, Nos tempos do faroeste, os caubóis e a gente galopava sem medo de ser feliz, contra o tempo e corríamos mais rápido que o vento. Era como desafiar a lei da gravidade no lombo de um animal feroz.

Joaquim era assim. Hoje com seus oitenta anos passa o tempo sentado numa cadeira de balanço observando calmamente alguns jovens correndo pela rua, descamisados e com a calça caindo sobre a bunda. Não tem o estilo de caubói como ele e tantos outros que cortavam o sertão afora, usando no coldre um revólver e ao lado uma algibeira. Estava ali, inerte, recordando dos bons tempos, e depois me olhou de soslaio, pedindo-me para escrever algo sobre os caubóis que encenavam nos filmes de faroeste americano, que parecia irreal, mas tudo aos olhos de quem assistia se transformava numa coisa espetacular, até real, e eu sabia como era e como devia falar sobre tais personagens. Não menti porque quando adolescente também fazia parte daquele mundo cinematográfico surreal. O problema não era saber ou esquecer-se de um ídolo ou personagem, mas de alguma palavra que pudesse não significar nada sobre a vida, o sentimento meu e o de Joaquim Cordão.

Descobri que a palavra inglesa cowboy, no Brasil foi aportuguesada (caubói e cobói). Portanto, se acham que mencionei errado ao titular esta crônica, não é verdade, e não houve propriamente um equivoco e sim uma derivação da palavra. Ao observar as diferentes culturas da História da humanidade, nenhuma ficou cristalizada, pelo contrário, houve trocas e variações que formaram novas culturas. No Brasil, diversas línguas como o português, o castelhano, o francês e o inglês entre outras se misturaram e formaram um jeito “abrasileirado” de falar. A palavra cowboy oriunda do faroeste americano, no Brasil aportuguesou-se como caubói. Todavia, deve-se entender que no âmbito da linguagem e da cultura, nada é cristalizado. Ela se transformou com o passar dos tempos menos o Joaquim, o caubói de Morrais City.




Aprendendo a decifrar a própria alma.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Pessoas que leram algumas crônicas e poesias minhas comentam que não é fácil entender até onde quero chegar, mesmo sendo elas escritas de forma simples, mas são mistérios captados pela minha mente, que na verdade, não se pode perceber ou decifrar. Será que minhas crônicas, poesias ou livros de romance são enigmas das quais posso estar exigindo muito do escasso tempo das pessoas que leem e tentam decifrar os meus escritos, ou me decifrar. Se chegarem a alguma conclusão fática ou não, posso afirmar que eu e minha forma de escrever podemos nos tornar um pesadelo em noites de lua cheia ou serem atacadas por sósias nas ruas desertas que estão à procura da decifração de nossas próprias almas. Não contradito muito, mas contradito o suficiente e chego ser a revolta que se esconde dentro de mim mesmo. Admito que já vivi o bastante, mas quero viver mais, talvez o suficiente para entender-me com tudo aquilo que cerca. Diante do meu pequeno mundo acho que tenho brilho e quero manter esse brilho, mas de que vale tudo isso se a gente desperdiça o nosso tempo com pessoas inúteis, fingidas, despreparadas? Se existe algum detalhe extra a meu respeito, eu não sei explicar e nem explicar a mim mesmo. Jamais me privo de desejos que possam me arrancar um sorriso porque eu me previno de decepções.


Quando estiver lendo analise bem o que escrevo e antes de julgar-me olhará no espelho da vida e verá o seu próprio reflexo e a quem cujo texto realmente está julgando. No entanto, eu e você caro leitor somos também como a um enigma, cada um com o seu segredo a decifrar; têm gente que se apega por quem os trata mal, por quem se briga, todavia, eu sou o contrário de tudo isso, pois me apego por quem me trata bem, e se grita ou me trata mal me afasto e ignoro, pois o tempo encarregará de desfazer qualquer mal feito. Quando alguém dá “patadas” eu me recuo, sabendo que a “patada” ou jeito torto de agredir pode ter sido impensada e desculpando-se, me ganha de novo, recupera a amizade. Gosto de pessoas assim verdadeiras, sem falsetes, pois é nesse sentido que deve haver os sentimentos que temos sem fingir situações.

É lendo, dialogando, olhando nos olhos que enxergamos ser possível aprender a ver e decifrar a própria alma, que não é somente ver; que não é simplesmente perceber com os olhos. Ver é perceber com a alma, com o espírito; é deixar-se envolver-se; é deixar-se cativar. Muitos são os que olham e nada vêem, pois não se emocionam da maneira que as imagens representam. Uma visão fria sem um ponto de equilíbrio final. Não sabem, talvez, que é possível mudar a maneira de enxergar o que o mundo nos proporciona. Ou se sabem não se interessam por isso; estão tão acostumados com a frieza de seu próprio olhar que finge não ver o que está à sua frente, por mais bela que a imagem for, talvez, até desconheça a forma de como ela se apresenta diante deles, negando-se a ver a beleza nela contida. 

Eu aprendi a decifrar olhares e através deles pude observar que havia janelas e através delas, chegar até a alma. Aprendi a interpretar semblantes, entender silêncios, compreender, perdoar erros, prevenir quedas; aprendi a levantar-me, erguer cabeça e erguida, sempre mantendo o pensamento positivo; aprendi localizar de onde vêm as “tempestades” de palavras que magoam e constrangem; aprendi a manter-me calmo quando humilhado; compreendi que, quando se escreve um livro de poesia, de romance, um artigo ou crônica, alguns leitores não gostam de ler e nem dá a mínima a certos textos; mas aprendi a não me apoquentar com nada, pois procuro manter sempre a cabeça erguida, mas fico curioso para entender os porquês. Escrevendo diariamente aprendi alcançar corações de pessoas que sofrem e apequenar suas dores e secar suas lágrimas; aprendi a conhecer e conviver com pessoas tal como elas são; aprendi a compreender onde elas tens estado e onde estão seus lucros e fracassos; aprendi a celebrar com elas mesmas, seja virtualmente ou não, as suas alegrias e compartilhar suas dores e jamais julgá-las, pois todos somos sujeitos a erros. Aprendi a sentir saudades iguaiszinhas a você que lê esta crônica agora.

É público e notório que o olhar tem que ser treinado, pois geralmente uma mesma imagem pode ou não representar a mesma sensação. Cada olhar é um fenômeno diferente do outro, mesmo que se olhe para o mesmo objeto no mesmo lugar, repetidamente. É como aquela pessoa que antes havia entrado no mar. Observou-se posteriormente que nem o mar era o mesmo de quando ela havia entrado nele. Ele se modifica com o tempo ou o tempo o modifica.

Urge então que a gente consiga decifrar a nossa própria alma; urge aprender a conhecer a nós mesmos, de onde vêm nossas raízes, e o nascedouro de nossos princípios. Hoje, de certa forma inquieto, achei por bem abrir as comportas do meu coração e as janelas de minha alma. Transformar a minha escrita, o meu olhar em algo substancial, nutritivo, pois eles que proverão minha alma de imagens a serem decodificadas.  Achei por bem também de transformar minha alma num núcleo formador de benevolência, para que possam me decifrar, e tudo que nela for incorporada por meio do olhar me deleite, me deixe embevecido, satisfeito. Assim me transformarei ainda mais numa pessoa melhor e poderei ajudar as pessoas com as quais convivo. Acredito que quanto mais pessoas estiverem pensando, enxergando e decifrando assim, melhor será a nossa sociedade.

Não sou bobo e nem meu ouvido é penico.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Faltam menos de doze meses para a eleição, e finalmente, vamos ter a oportunidade de dar um basta em tudo que vem acontecendo no Brasil. Hoje, dia 29 de novembro, depois de assistir tantas peraltices políticas e corrupção generalizada, você e eu, de certa forma, poderíamos estar desinteressados na eleição de outubro de 2018, agora, na verdade, sentimo-nos uma vontade férrea de votar porque o voto é única arma para que possamos mudar os destino do País e acabar com a roubalheira. Ainda é cedo para pensarmos em quem votar, todavia, temos ir bisbilhotando, analisando currículos para fazermos uma boa escolha senão tudo continuará do jeito que está. Temos que convencer os eleitores que continuam votando nesses crápulas a pensarem é melhor. Todos têm que votar usando a razão e não a emoção. É isso mesmo! O Brasil é grande demais e cheio de problemas para a gente entregá-lo nas mãos pessoas desonestas e inescrupulosas. Mas quando se fala em votar quão será difícil esquecer-se daqueles candidatos enganadores que passaram pelos programas televisivos quatro anos atrás – ou, melhor, nem queria pensar a respeito, mas sou obrigado pensar e escrever na esperança que alguns indecisos leiam. E logicamente para escrever esta porcaria de artigo tive que tirar um tempinho para rever um programa de um partido político no horário eleitoral gratuito. E que sofrimento! As mesmas baboseiras! Afinal a gente tem ou não a ver com isso, não é mesmo?... Não sou candidato e nem você, mas de certo modo fazemos o papel cabos eleitorais virtuais e temos opiniões diferentes, mas “aquilo” que a gente assiste deixa-nos estarrecidos. São tantos projetos absurdos, maltratam o português, fazem propostas mirabolantes sem nenhuma consistência. A mesma balela de sempre. Na minha modesta opinião os programas eleitorais não deviam ser gratuitos, porque se fossem pagos, ficaríamos livres de alguns candidatos, que além de não terem o mínimo preparo moral, são totalmente despreparados politicamente e alguns, por incrível que pareça, mal dão conta de ler o texto que passa no monitor controlado pelo cinegrafista.

Os partidos nem se dão ao respeito de pedir licença para entrar em nossos lares. Pensam que somos bobos e nosso ouvido é penico. Gente, quanta falta de criatividade! E a impostação de voz, ou de vozes dos representantes partidários? Cruz credo! Mais parecem piadas, que nem vale a pena ver ou ouvir de novo, e nem tem como, porque, felizmente, alguns só conseguem gravar poucas vezes. Ainda bem. Diante da tantas pessoas que se dizem candidatos, fica mesmo difícil escolher o pior. Se fizermos anotações das esdrúxulas frases e separar as vozes “taquaras rachadas” que aparecem, a maioria está eliminada. Por curiosidade procuro observar se o candidato inova. E vejo que não inova nada! São os mesmo chavões e depois vem e diz na maior “cara de pau” que vai trabalhar em prol da saúde, educação, segurança, transporte, habitação e combater a corrupção (claro que nem sempre nesta mesma ordem). Tem candidato que fala que vai trabalhar pela saúde e na sua boca falta dentes e tem pessoas de sua família na fila do SUS; tem candidato que fala sobre educação e sequer tem o primário; tem candidato que fala sobre habitação, mas vivem de aluguel, outros, nem moradia tem; tem candidato que diz: se eleito vou melhorar minha vida, de minha família e de meus amigos; tem candidato que está há mais de oito no poder e diz que vai fazer isso ou aquilo e até salvar o Brasil da crise. Crise que conviveu e convive como candidato reeleito por várias vezes. Uai! Porque não fez durante o tempo em que está no poder; tem candidato do Partido dos Trabalhadores que se diz na telinha ser honesto, ético, incorruptível, mas esquece que foi pego com dinheiro na cueca, outro guardava 52milhões num apartamento, sem falar nos que foram denunciados por corrupção ativa e passiva em relação à Petrobrás e outros órgãos públicos, tudo gravado e documentado; tem candidato que diz na maior cara de pau que o seu governo combate duramente a corrupção, sendo que é o inverso de tudo isso; tem candidato que começa o seu texto assim: Eu como candidato... (?) Será que come tanto candidato assim? Por que não diz se eleito for...

Com relação ao programa eleitoral sou crítico mesmo! Abstenho-me de dizer nomes neste artigo porque não quero fazer propaganda gratuita. Aqueles que acompanham a política há bastante tempo sabem que tem candidato que, antes de o ser, já criticava duramente todo mundo, dizendo que a maioria dos políticos comprava votos, mas ele, no seu primeiro mandato foi beneficiado por aprovar projeto do governo desfavorável e em detrimento do povo. Prometeu custear tratamento de saúde de pessoas que têm o mesmo problema seu. No Programa seguinte, foi suspenso pela Justiça Eleitoral. Bem feito! Ele não tinha proposta e parece que se candidatou para se beneficiar de emendas e na calada da noite receber propinas por um miserável voto. O eleitor quer apenas ouvir é proposta e não agressões verbais entre partidos e candidatos, pois a maioria é da mesma laia. Durante horário eleitoral gratuito em que me propus assistir para escrever este artigo, sei que foi um castigo que impus aos meus olhos, ouvidos e minha sensibilidade, e com a caneta em punho, fui anotando e selecionado alguns “chavões” até chegar à escolha do “faz-me rir”. Então vai: Vocês se lembram dos candidatos que diziam assim: Eu sou aquele cantor que assovia e depois, assoviava mesmo! Os outros, um berranteiro e um cantor sertanejo que mais parecia o Sinhozinho Malta. Eram tantas jóias nos dedos, punho e pescoço que fiquei com inveja. E quantas promessas vazias foram feitas por todos eles.

Para não tomar o tempo do caro leitor, faço aqui em tópicos separados um resumo das palavras “sábias” desses candidatos, alguns sem a mínima estrutura para fazer quaisquer tipos de promessas: 1) Eu sou a cara do povo; 2) Vou lutar contra a fome, a pobreza, a burocracia e corrupção; 3) Vou lutar pela redução da maioridade penal; 4) Sou um político de “cara nova”: 5) Sou vendedor de picolé; sou aquele do lanche, sou o do sacolão, sou o da vassoura... E pasmem! Todos eram candidatos a Deputado Federal. Não tenho nada contra a profissão de cada um, porque eu mesmo já fui engraxate, vendedor de pirulitos, cobrador, etcétera e tal, mas o Congresso Nacional precisa de gente honesta, de ilibada conduta moral, ético, incorruptível, com capacidade mais intelectiva, que tenha certa noção de administração pública e não se envolva com falcatruas, não dancem em Plenário depois de uma votação comprada e nem façam peripécias políticas no Congresso Nacional. Tal situação acontece porque partidos pequenos, mas conhecidos como “partidos de aluguel” captam essas humildes pessoas para completar seus quadros de candidatos, e alguns sequer conseguem ter mais de um. Vi o sofrimento de uma jovem pedindo voto (texto lido) várias vezes e ao que parece, o seu partido só tinha ela.

Infelizmente temos alguns eleitores que se assemelham, à minha visão quando o uso óculos de grau, àqueles caras estressados que trabalham na bolsa de valores correndo de um lado para outro. Muitos deles estão trocando seus votos por uma cesta básica, por uma casa própria, por um vale alimentação. Isso é fato e pesa em favor dos investidores. Resultado disso: no dia da eleição, já não existe mais a lembrança do valor do “negócio”, mas o “santinho” do candidato que segue enroladinho entre os calos da mão do eleitor, objeto da maior confiança dos candidatos que investiram nele. Esse é o nosso Brasil!


Indignado igual a um pinto

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O presidente Michel Temer (PMDB) foi denunciado meses atrás, precisamente no dia 26 de junho, pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pelo crime corrupção passiva. O peemedebista se tornava o primeiro presidente brasileiro no exercício do mandato a ser denunciado por um crime comum. Em um jornal, escrito em letras garrafais, li o seguinte texto: “Caso a denúncia seja autorizada pela Câmara dos Deputados, por 342 votos dos 513 parlamentares, e aceita pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal, Temer será afastado do mandato por até 180 dias. E se for condenado, pode ficar de 2 a 12 anos preso. Na denúncia, o procurador ainda pediu que o Presidente Michel Temer pague uma multa de 10 milhões de reais, com reparação de danos coletivos. Temer cometeu uma série de crimes e entre eles, o de comprar o silêncio do ex-deputado federal e aliado do presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o de pagar propina a membros do Ministério Público, do Judiciário e o de tentar influenciar no Governo por meio de representantes da gestão federal. Mesmo diante de tantos relatos, Temer nada fez. Apenas o ouviu e concordou com a possibilidade de calar Cunha e Funaro. Em pronunciamentos públicos, o presidente relatou que só queria se “livrar” de Joesley, a quem chamou de um "conhecido falastrão".

Aquele dia foi um dia de luto, dia de reflexão e quiçá, de buscar motivos para este questionamento que faço: Até que ponto vale a pena ser honesto? Até que ponto vale à pena lutar, ser brasileiro, ter esperanças? Hoje, sei que a maioria dos brasileiros está frustrada e outra, em minoria, festejando. Será que é assim que funciona a democracia? Políticos após votação dançam dentro do plenário da Câmara, e festejam, mas festejam o que? A vitória de o Presidente Temer que distribuindo benesses aos seus apaziguados safou-se de perder o cargo, com a ajuda dos comparsas do Congresso Nacional, e a de ser julgado pelo STF? Esses políticos abusam da nossa inteligência, das pessoas de baixo poder aquisitivo, a maioria desempregadas e mesmo as beneficiadas por uma bolsa estão sem as mínimas condições de mudar de vida, ter um trabalho digno ou demarcar um norte para suas vidas, pois o governo não tem interesse por questões óbvias e essa ajuda quando oferecida exige que o beneficiado se torne num cabresto eleitoral deles. A Bolsa deveria ser emergencial, jamais permanente. Ela mata a fome e escraviza! O governo usa a ignorância do povo e o prende numa armadilha desonesta. Mas, enfim, chegadas às eleições, não vamos deixar que haja uma polarização e que ela se transforme numa compra de votos descabida; vamos ficar na esperança de que não haja continuidade das zombarias de ambos os lados e ou mesmo boicote eleitoral. Ao lado perdedor cabe continuar fiscalizando, cobrando o que mais de funesto vem ocorrendo no Brasil: a corrupção generalizada e perda de valores éticos, morais e religiosos, tão visíveis durante a campanha eleitorais passada, como ocorreu com a apresentação do projeto pelo deputado Jean Wyllys, apoiado pela Ex-Presidente Dilma com intuito de profissionalização da prostituição, da liberação das drogas, ideologia de gênero, cirurgia de mudança de sexo para pré-adolescentes pelo SUS e descriminalização do aborto. Ele, além desse absurdo, foi árduo defensor da distribuição do "Kit Gay" nas escolas. Esse indivíduo é o mesmo que disse: “A bíblia é uma piada, quem crê nela é uma palhaço, e as igrejas são uns circos. Pronto falei!” Pasmem! E é esse crápula que o Lula disse numa reunião ser líder da juventude brasileira.

Amigos leitores, o Brasil continuará seguindo seu rumo seja leste, oeste, sul ou norte, mas sempre em frente, nunca dividido como quer o Presidente Temer. O importante mesmo é que façamos a nossa parte e como disse uma amiga, trabalhadora incansável, de ilibada conduta moral e profissional: “Agora é continuar levantando cedo e ir para o trabalho no afã de ajudar a melhorar este País, acabar com os corruptos e corruptores, sabendo que a maioria dos brasileiros já faz isso, enquanto um Geddel Vieira Lima tinha 52milhões de reais escondidos num apartamento, e a outra parte, esperava a bolsa família... Mas é bom eles saberem que de outro lado, oitenta por cento (80%) dos brasileiros estarão à espreita contra os atos de improbidade do Presidente que já está na mira da justiça, isto tenho absoluta certeza. Ainda bem que, depois da escolha de Temer tudo ficou claro não? Vieram à tona os atos de corrupção praticados por ele que vinha ocorrendo há bastante tempo. Ele e seus apoiadores de plantão, cuja maioria está indiciada pelo MPF, não esperavam o ajuizamento de ação contra Temer, assim como, a reação do povo brasileiro. Vão ter que repensar tudo, e se não fizerem serão cobrados na próxima eleição, e se não reeleitos, cada eleitor vai cobrar da justiça a aplicação da Lei contra eles, corruptos e corruptores, em face da malversação do dinheiro público praticado. Veja o que está acontecendo Rio de Janeiro, tanto o executivo, legislativo e até Tribunal de Contas, todos em conluio envergonhando o povo carioca. É necessário que acabemos com famigerada imunidade parlamentar e foro privilegiado.

Não importa qual rumo ou lado estamos ou tomamos. O importante é seguir em frente e fazer a nossa parte, trabalhando com foco. Imbuídos de desiderato de bem servir a Pátria, sermos honestos, defender nossas famílias, amar a Deus e procurar extrair desta terra varonil a alegria de viver. Qualquer governo, por mais que votemos usando a razão, pode ajudar ou atrapalhar, todavia, é importante sabermos que quem constrói o nosso futuro somos nós mesmos. E, para finalizar, restou-me então lembrar-lhes de finais de novelas globais dizendo-lhes: Emoções mais fortes ainda estão por vir no capítulo seguinte e uma delas será quando o povo ordeiro, que é o personagem principal, descobrir que viveu e continua vivendo uma jornada trilhada por corruptos e corruptores, tendo apenas o voto como alternativa de mudança ou ir às ruas para protestar, mas infelizmente ainda existem aqueles que votam em troca de benesses e favores, não se importando se o seu candidato é corrupto ou não. Em razão famigerada imunidade parlamentar que livra corrupto da prisão, da falta de honestidade e compostura que vem do próprio Poder Executivo, do legislativo e até do judiciário, pergunto: como pacificar as favelas, como combater o crime organizado, como acabar com os corruptos, como exterminar os ratos que infestam o Congresso Nacional e as Assembléias Legislativas, principalmente a do Rio de Janeiro? É triste dizer isso e fico estupefato ao ver diariamente na TV tanta corrupção, mas é a realidade brasileira. O que se deve fazer? Cobrar mais respeito de todos eles? Acabar com a imunidade dos políticos para que eles possam responder pelos seus atos perante justiça? O eleitor deve ter consciência na hora de votar? E se nada disso der certo, o povo deve pedir intervenção das forças armadas? É duro dizer isso, mas estou indignado igual a um pinto, que ao nascer, se vê sozinho diante de raposas e ele nada pode fazer para sobreviver.




O garoto que não driblou a morte

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Diariamente vemos cenas chocantes na televisão. O apresentador, sem pedir licença, entre em nossos lares e vai mostrando cenas de criminalidade que infestam nossas cidades. Debaixo das marquises ou em bancos de praças pouco iluminadas, jovens esquálidos, maltrapilhos, sem rosto, deitam sobre as calçadas, parecendo espectros animalescos possuídos pelo demônio. São cenas horripilantes! Em becos, ou numa rua ou avenida, mais perecem protagonistas de filmes de ficção e nesse palco de horror, uns se arrastam ou cambaleiam pelas calçadas como se fossem répteis, e dominados pelo vício, não respeitam nada que vêem pela frente. Sob o uso da maconha destroem lares, famílias, roubam e até matam seus entes queridos para adquirir a maldita droga. Esses personagens que perambulam pelas calçadas, abandonados pelo setor público, e até pela própria família, não conseguem viver sem ela, perambulam pelas ruas sem rumo certo, como fossem esqueletos humanos, sujos, maltrapilhos e em seus rostos vemos movimentar apenas um infinito de esgares, como se a câmara do olhar estivesse fora de foco para mostrá-los nas tevês, como meros seres anônimos, mortos-vivos, pesos-mortos, e às vezes cobertos por míseros cobertores de lã, ficam encolhidos nos cimentos frios de uma calçada qualquer. As imagens focadas pela TV não mostram esses infelizes colocando um pedaço de pão ou um copo de leite na boca, mas, cachimbos infectos e até latinhas de refrigerantes que eles adaptam para “fumar” maconha. Essa maldita planta, que não cria, não dá, somente tira e mata!

Lembro-me de um garoto extremamente alegre, que mesmo nos campos de futebol de chão batido, fazia a bola rolar com maestria, cadenciava as jogadas para municiar os companheiros e possuía um chute desconcertante, certeiro. Era o artilheiro do time. Menino humilde e mesmo com os pés descalços, sonhava um dia calçar chuteiras coloridas e se tornar um Cristiano Ronaldo, um Lionel Messi, um Neymar... Empreitada difícil considerando esta comparação porque ele não teve berço e nem fora preparado pela sociedade como foram esses atletas e tantos outros; nunca lhe foi exigido assiduidade na escola ou mesmo recebido apoio da família e uma educação religiosa. Ninguém o acompanhava em suas perambulações pelos campinhos poeirentos que se espalhavam pelas periferias da cidade. Faltava-lha o amor, diálogo. Em muitas daquelas praças esportivas as drogas “rolavam” livres e nos becos e lotes baldios garotos e garotas se prostituíam e o pior, as drogas se espalhavam e junto com elas, as mais letais, mais baratas, piores que a naftalina das baratas cascudas, piores do que tomar água suja no leito das calçadas de via pública. Ela se multiplica e transformam esses incautos, não mais apenas pobres, mas todos somente em lixos urbanos, homens-descartáveis, não-recicláveis. Num País como o nosso, onde certas coisas parecem não ter qualquer importância: a dignidade é apenas uma delas. É um confronto difícil e violento sair todo dia às ruas, pior ainda quando se vive numa grande cidade, como a nossa, e pouco se pode fazer. Você dá de cara com crianças vivazes obrigadas a mendigar a pedido dos próprios pais alcoólatras ou viciados. Dá de cara com gente velha, com fome, doente, com feridas pelo corpo, alguns carregando faixas de publicidade no pescoço, outras mutiladas advindas de uma guerra quixotesca. Damos de cara com pais perversos, padrastos e madrastas, violentas e criminosas e quando não damos de frente com elas, a televisão mostra. Nas esquinas, nas pontes e postes, dentro de caixas, atrás de muros, junto com os ratos de esgoto, ficam ali jogados os pacotes de lixo-gente. Muitos deles aprendem e sobrevivem com seus vira-latas como se estivessem sendo empurrados pela mão invisível do destino.

Mas agora vamos voltar falar do crack ou quiçá, da maconha também. Essas drogas malditas que, por ser estimulante, ocasiona dependência física e, posteriormente, a morte por sua terrível ação sobre o sistema nervoso central que gera, em razão disso, a aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, tremores, excitação, maior aptidão física e mental. Os efeitos psicológicos são a euforia, a sensação de poder e o aumento da auto-estima. E ela foi o grande mal daquele garoto craque de bola que passou a ser usuário de droga; que não conseguiu ver a vida florescer e retirar dela os galhos podres para poder, pelos menos, conseguir driblar a morte, mas infelizmente não conseguiu. Num entardecer foi visto agonizando num beco escuro sob o efeito da droga, só que, naquele dia, além de uma overdose, recebera um tiro no peito, porque simplesmente não conseguiu pagar uma dívida inerente a umas pequenas “pedras” de crack que comprara de um traficante. 

Ao ver aquela cena pela TV questionei: O que as autoridades constituídas têm que fazer? E sem pensar, respondia com ar de revolta: Em primeiro plano, a vontade política em resolver tal situação, não obstante constatemos que, enquanto existir no Congresso Nacional os conchavos, as negociatas que fazem surgir as famigeradas benesses de emprego para seus apaziguados, um dinheiro a mais no orçamento; faz surgir os corruptos e corruptores que se perpetuam com o auxílio poder Executivo e legislativo. Enquanto existir a política esperta e populista que está aumentando a preguiça da população carente oferecendo bolsas família, tudo isso em nome de um capitalismo barato, de fachada, que gasta milhões em propaganda para fazer você acreditar naquilo que não vê. Enquanto não existir uma base mínima de um trabalho coordenado, completo, que una saúde pública, assistência social, caridade, segurança e perspectiva, inclusive emocional, de nada adiantará o esforço daqueles que querem ver o Brasil sem crise. Em segundo plano, neste momento cruciante, todos precisam apoiar todos; todos por qualquer um. A liberdade individual, a possibilidade de escolha, existe, mas ambas têm, sim, limites.

Não adianta pegar esses infelizes e levá-los a abrigos, dar-lhes banho, lavar suas roupas, secá-las, botar para coar, enfiar comida em suas bocas, porque eles preferem as ruas. Dar entrevistas bombásticas, com o fito emocional, também de nada adiantará, pois em minutos depois, em abstinência, eles voltam. Não adianta a sociedade empurrá-los de lá para cá: agora estão cada vez mais perto de nós, onde são mais danosos que pode soar como um alerta: os traficantes estão chegando aos montões em qualquer parte do País e alimentando os usuários de crack e cocaína, principalmente em Goiânia. Vemos na televisão que esses usuários e traficantes estão transformando o Brasil num teatro de horror, cujos personagens parecem ter saído de filmes de terror protagonizando cenas inenarráveis, lotando de infelizes os gramados da vida mundana. Se a sociedade organizada não tomar providências urgentes; se os olhos por mais embaçados que forem, marejados ou míopes não verem, se seus ouvidos não escutar o clamor que vem das ruas; se todos os responsáveis continuarem empurrando com a barriga, poderá, de um lado, esta dependência química se proliferar de uma maneira assustadora, incontrolável e fazer fortunas para muitos, entretanto, do outro lado, destruir vidas, famílias e aumentar os “lixos” humanos.





Deixando a vida e o vento me levar...

domingo, 5 de novembro de 2017

Se na infância fui ou não como outros meninos, não me lembro bem, minha memória é meia vaga, mas sei que nunca enxergava o mundo como os outros viam, mas os outros também não enxergavam o que eu via. Desde pequeno eu já via o bonito e o lado poético das coisas, assim como via quando o vento que soprava ou assoviada; sabia que rumo tomava e a suavidade com que levava consigo as folhas secas para, depois, saírem voando, sem rumo. Nada mais triste era levar comigo aquelas folhas mortas e saber que mais adiante poderíamos nos separar dada a força do vento e a fragilidade delas. Quantas vezes amparando minhas mãos no pequeno muro daquele quintal, com o olhar entristecido como a de um poeta aprendiz, sentia-me como a própria folha, e aí não via à hora do vento passar ou da vida me levar, e quando ele passava, sentia-o triste também, pois não conseguia levar até a janela de minha amada o perfume das ressequidas folhas, o cheiro gostoso de jasmim ou das pétalas das rosas que rolavam pelo chão. Se minha amada pudesse pelo menos enxergar a folha, ou o meu olhar marejado detrás do muro, bastava um simples gesto dela para secar minhas lágrimas, me fazer renascer e sentir a vida me levar, tornando-nos um elo, pois sabia que ainda havia esperança. Esperança em um mundo melhor, mais justo, humano e fraterno, onde, talvez, por descrença, o vento ao passar por algumas estações devia ter ficado angustiado, sentimental e via que não havia elo nenhum. Talvez entendesse que minhas angústias, paixões e sentimentos não podiam ser levados por ele, apenas eu ou minha vida. Apenas para ser mais claro sabia o vento não tinha culpa.

O vento não tinha culpa e não podia saber a origem de tudo que corroia a nossa alma, e às vezes, não me interessava saber de onde ele vinha, mas quando passava acariciando o meu rosto o meu coração acordava para a alegria. O vento foi meu cúmplice e tudo o que amei, ele sabe que amei sozinho. Sabe que fui um sonhador. Assim, na minha infância, nas garras da tormentosa vida, ergui-me, no bem, no mal, de cada abismo, e encadeei-me o meu mistério. Prendi-me a sete chaves. Aquietei-me num recanto só meu. Às vezes quando deixava o vento me levar sabia que vinha recheado de cheiro das verdes matas, que trazia a calmaria dos rios e o canto dos pássaros; sei que se ungia nas fontes da vida e veloz, descia da rubra escarpa da montanha beijando o sol, para depois afagar meu rosto com suavidade, me envolvendo em outonais clarões dourados; livrando-me dos relâmpagos vermelhos que o céu inteiro incendiava; livrava-me dos trovões, das tempestades, das nuvens que se alternavam e traziam escuridão. Só no amplo azul do céu, puríssimo, como a um anjo e ante meus olhos, levava em seu colo a pequena folha seca e as pétalas de rosas que se desalinhavam no chão. Folhas caídas e pétalas, mas que conhecem todas as estações da vida e os motivos que as fazem ficarem assim, mortas, jogadas, espalhadas pelos terrenos férteis e inférteis, simplesmente ao léu, pisadas por pés apressados e levadas por ventos que não eram os meus. Ficava entristecido a cada estação do ano, e não suportava ver a manhã seguinte, quando não via as folhas, pétalas sobre as calçadas, jardins floridos e sem saber para onde teriam ido. Eis a vida, acho que a vida é assim, penso eu, e por isso caminhando sóbrio sobre terrenos férteis, entendia que devia deixar o vento me levar também.

Tendo-se razão ou não, assim é a vida. O vento não te levará e nem a sua casa se você for firme e construí-la sobre a rocha; o vento de sua vida será perfumado como a um jardim florido; o vento de sua vida não o sugará da terra se tiveres alicerçado com amor, então, sendo sua vida assim construída, suportará não somente o vento manso, mas também os vendavais, ventanias, tempestades, que poderá até balançar sua estrutura, mas se sua vida for bem regrada não será fácil você cair, sentir o impacto, e não se desmanchará em pó tão facilmente. Podem vir primaveras, verões, outonos e invernos, mas se os homens tornarem-se apenas folhas aí sim deverá temer qualquer ventinho que não tardarão chegar. Assim é a vida... Mas nos anos que virão entendo que não será tão necessário renovar apenas guarda-roupas ou comprar veículo novo, mas sim, deixar que o vento nos leve para renovar o nosso espírito e ampliar a nossa fé em Cristo; deixar que ele nos ensine a dar uma faxina em nossas vidas; deixar que possamos rever tudo que aconteceu de ruim e anotarmos na agenda de nossa existência, as palavras amor, paz, fraternidade, solidariedade e justiça para que tudo possa, daqui por diante, ser diferente. 

Vaidoso, sou, mas não sou egoísta, nem prepotente ou arrogante e no passo da fuligem, da folha seca, de algo quase inexistente, tomo o meu destino e procuro ser humilde. Absolutamente humilde. Sabes por quê? Explico: Porque sei que sou a folha que voa mansa amparada pelo vento; porque não sei quantas primaveras, verões, outonos, invernos terei; quantos finais de tarde passarão no jardim de minha existência; quantas forças advindas do vento poderão suportar. Resta-me então pedir ao meu Pai Celestial que jamais deixe a janela do universo fechada para mim. Pode acontecer que as folhas, as pétalas, assim como eu, percam as forças numa manhã ou tarde, e quando chegar ao entardecer, é possível que não estejamos caídos enfeitando o leito de um caudaloso rio. Estranho é ver o tempo passar, trazer o entardecer e a gente não compreender que havia um sentimento profundo entre nós e que o trem da ventania poderia levá-las intempestivamente junto com aquelas folhas estendidas em terreno fértil do tempo. Você, caro leitor, um dia, também será passageiro desse trem ventania e pelo ar será levado em direção à rua onde mora sua amada, mas como não terás destino, quem sabe se o vento se perde na curva e o arremessará fazendo-o entrar por outra janela, vê-la no seu quarto, deleitando-se na cama.

E quando você chegar e antes de apreciar a lua, contar as estrelas e sonhar com os mistérios da noite, certamente ficará observando a sua amada e assim como eu começará a escrever alguma coisa numa pequena folha de papel. Talvez escreva: Ah, se pudesse ser levado ao vento igual às folhas e pétalas, então meu destino seria igual a elas, que são apenas folhas ao vento, mas no nosso mundo imaginário sabemos que são apenas folhas, mas amadas pelo vento. E eu usando as asas de minha imaginação estarei girando perto da janela, um voo baixo, esperando que ela me veja, me segure me carregue, me aconchegue em seu colo, para depois, me guardar dentro do seu diário, como uma folha que não precisa de vento.





O cupido das caatingas.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Certo dia na pequena cidade de Santana do Agreste, ladeada por imensas caatingas, terreno seco, inóspito, incrustado na região nordestina, apareceu um cupido e diante uma jovem perguntou: Ô moça qual foi à última vez que você se olhou no espelho? Notando o espanto que se aflorou no rosto dela, completou: Com mais clareza quero complementar a pergunta: Qual foi a última vez que você realmente se olhou no espelho? Vendo certa tristeza no semblante dela, insistiu: Já percebeu o quanto você é única, bonita e especial, e se não percebeu ainda, provavelmente você não anda se olhando direito no espelho. Já reparou também no quanto você é perfeita ao seu próprio modo? No quanto você é o sinopse de você mesma, de um jeito que ninguém poderia superar, e que isso te faz única? As pessoas costumam se olhar através de camadas de preconceitos, de padrões pré-estabelecidos e assim fica difícil ver a si mesmo, como se fosse de verdade.

A garota olhou para o cupido e com certa raiva o questionou: Quem és tu, ô mosquito miúdo, abelhudo, de asas brancas? Quem acha que tu és para entrar no meu quarto e me pedir para olhar no espelho. Não és cria de Lampião ou é? Tome atitude e vire essa diminuta flecha afiada para outro lado. O cupido respondeu: Garota, não se apoquente, pois eu sou o seu cupido e algo está para acontecer contigo hoje. Sinceramente, acho vai precisar de mim, mas primeiro, olhe no espelho e tente não enxergar aquele amor que te cega, incoerente, descabido e que tens por aquele vaqueiro que mais parece uma girafa, pois além de feio, grandão tem pescoço alongado, e ele parece nem perceber que você existe, nem te dá à mínima. O que eu quero dizer é que você deve ser o seu próprio referencial. Olhe no espelho. Por favor, olhe e sorria!... A autocrítica é importante. No entanto quero te lembrar que tenho asas, sou pequeno, mas não um mosquito e nem ser humano, então, não sou passível de erros como vocês e não deixe que o seu amor-próprio se transforme em soberba. Dê valor aos seus sentimentos, veja a pureza que irradia no seu coração. Descubra os seus valores morais e espirituais, inclusive àqueles que você tem por si mesmo, mas que, talvez, desconhece. Quando você se olhar no espelho, observe que seus olhos verdes vão brilhar. Quando você vires alguém que te ama e a admira muito, como está brilhando agora, mesmo sendo o pescoçudo. Olhe pra mim e veja que estou com a flecha bastante afiada e a ponto de ser lançada. Indignada, olhou no espelho e nem percebeu que o seu amado, o vaqueiro girafa, acabava de chegar, o qual, vendo aquele sujeitinho voando inquieto pelo quarto, foi à cozinha, pegou um spray de inseticida, apertou o gatilho e vapt-vupt! O cupido tagarela ficou tonto e se esborrachou no chão. Moral da história: Tem certos momentos que, não importa qual tipo de pessoa que está em nosso convívio, e ou mesmo se tiver errado tanto, é bom que cada uma atire com sua própria flecha.

No entanto, a aparência de um cupido ou daquele moço desajeitado, mas querido por todos não podiam ser confrontadas, pois os dois estavam ali com as mesmas intenções e pensamentos dignos. Por outro lado, o jovem “girafa”, além de bom vaqueiro, era trabalhador e de certo modo, bem apessoado, mas naquele dia, talvez desconfiado, não entendeu porque aquele cupido estava naquele quarto falando com sua amada, dando a entender que torcia por ele, ou quiçá, pelos dois. O cupido o conhecia bem, tinha poder pra isso e sabia das boas intenções dele e das conquistas pessoais e profissionais conquistadas durante sua existência. Mas as ações do cupido em prol dos dois não eram diferentes das outras e nem foram em vão. Todavia, com o sentimento de não ter sido compreendido, o cupido partiu, mais deixou brotado no coração dos dois uma linda história de amor. Naquele momento difícil, ainda atordoado, levantou-se, pegou seu arco e flecha, olhou para os dois, acenou e deixou uma humilde e simples mensagem, ficando claro que a jovem merecia muito mais do que aquele garoto “girafa”, e assim, é desta forma que encerro esta simples crônica que procurei escrever de forma harmoniosa para agradecer e ter conhecido a história da bela Alice Nonato e do vaqueiro Chico Seridó, assim como, da existência naquela região do nobre cupido Caicó.

A Lua descia soberba no horizonte, cumpria sua rota e trazia o amanhecer e com ele um novo dia. O sol voltou a brilhar de modo diferente em Santana do Agreste. A vida nada mais era do que um caminho que ninguém sabia onde era o seu término, mas mesmo assim, a pessoa humana continua caminhando sem parar, talvez, à busca de um cupido qualquer. O homem embora tenha alma e consciência não sabe quando ele termina e nem se levará um grande tombo no final. O ser humano, com ou sem seu cupido, continua caminhando como se estivesse procurando a imortalidade, a vida eterna, mas tudo, infelizmente, é um mistério.

Comparando-me a história daquele cupido, acho que o meu sempre gostou de matemática, pois desde os tempos de adolescente só me traz problemas. O cupido aprontava comigo, mas eu não acreditava que ele existia. Certo dia, eu senti uma flechada no peito e olhando de soslaio vi uma garota encostada no banco de uma praça. Veio-me uma sensação estranha, uma atração instantânea... O olhar penetrante dela fulminou o meu coração, como a um raio cheio de ternura. O Cupido tinha aprontado mais uma vez comigo, mas aquele garoto sonhador, com alma de poeta, a travessura do cupido só podia lhe deixar cicatrizes. Mas como resistir à tentação, na realidade, eu até agradeci ao cupido. O tempo passou e voou como uma flecha que se cravou no coração do tempo, mas embora fugaz, a emoção naquele dia explodiu diferentemente em meu peito, trazendo-me o amor, o prazer, o sentimento que nem sabia existir, e, doravante, passei a entender que cupido não é mosquito, têm asas, mas somente voa para orientar às pessoas que não existem preconceitos, padrões pré-estabelecidos pela sociedade quando se há entre as partes o verdadeiro amor. Assim é necessário que voltemos a ser essa criança, nascer quantas vezes for preciso e espreguiçar entre os lençóis embebidos com nossos próprios sonhos, e, talvez, até fiquemos encantados com histórias que surgiam das esbranquiçadas caatingas.




A epopeia de Mário Dumont

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Ele era muito jovem quando realizou aquela viagem, uma verdadeira epopéia, mas convicto de que ia a busca novos horizontes. E num ônibus provido de fartos desejos foi à procura de um amor há tempos não adormecia em seus braços, ou talvez. ele o considerasse pequenino em proezas, ou um piloto sem comando à procura de um mundo novo. Com seus óculos de grau sentia-se fartado ao avistar aquelas terras, e a cada minuto ia apagando as tempestades passadas, pois sabia que pisando nelas, fincaria também suas estacas, divisas, produziria em solo fértil e alcançaria aquilo que jamais imaginava. E sua imaginação a vagar podia até escutá-lo, mas, a terra lhe dizia numa frase que só ele podia decifrar: Tu poderás até ficar aqui, mas espero que se torne grande produtor e cuide também de mim.

E a história começou assim: Tempos idos, talvez não contabilizados por ele, pegou um ônibus e seguiu viagem, e este balançava na estrada de chão, cheia de buracos, arada provisoriamente para nela fosse construída outra pavimentada. Era uma região bastante produtiva e havia necessidade de se construir uma rodovia para atender aos apelos dos produtores rurais e indústrias locais, que cresciam vertiginosamente. Às margens da rodovia viam-se máquinas rasgando o chão poeirento acinzentando o céu escasso de nuvens. Do lado direito, viam-se também lindas pastagens e nela despontavam-se capins ressecados pelas intempéries do tempo. Com prenúncio de chuvas os produtores com seus tratores rasgavam a terra para o plantio de milho e soja. O ônibus trepidava sobre os cascalhos e veloz, deixava para trás cheiro de borracha queimada e uma nuvem de poeira que se impregnava nos vidros enquanto outras eram levadas pelo vento. Naquela época andar de ônibus nas estradas que se conectavam com várias regiões era uma aventura. Primeiro, porque a estrada era horrível, o que tornava a viagem um pouco nervosa e bastante demorada. Segundo, porque eram poucos os pontos de parada, o que gerava certa ansiedade. Terceiro, porque os ônibus eram antigos e/ou bastante detonados, o que representava um risco de a viagem simplesmente não terminar.

Pois bem. Apreensivo, ele estava no ônibus que mal permanecia em linha reta, deixando os passageiros inquietos em suas poltronas, os quais se ajeitavam como podiam. De soslaio o jovem Mário olhava as pessoas e via em cada semblante uma mistura de ódio, medo, felicidade, descontentamento e aflição. Tudo lhe fazia lembrar-se do mundo nefasto em que vivera. Na realidade, ele sentia uma tristeza infinita ao notar que em cada rosto podia se vislumbrar como a humanidade está doente. As alegrias eram tão poucas que ao fitá-los, elas encolhiam-se tímidas em suas poltronas como medo de serem abordadas.

Mário Dumont perdeu seu pai muito cedo, mas, antes de morrer, ele lhe ensinou três regras de vida: vá à busca de seu ideal, ame muito, lute mais ainda. Tendo crescido em uma família humilde, mas de homens trabalhadores, que gostavam de jogos e lutas, razão pela qual ele se tornou um cara durão. Corpo musculoso, tatuado, olhos castanhos claros, cabelos encaracolados, levou uma vida difícil até conhecer Jéssica Pascoal, uma mulher guerreira e de boas posses, não resistindo ao charme dela, sem saber que só assim o deixaria mais determinado a conquistá-la. Será que o grande Mário, o irresistível, foi derrotado por uma garota?

Que epopéia! Tinha que percorrer quase dois mil quilômetros para se chegar à cidade de Minuano. O ônibus pifou! Uma pane no motor. O motorista levou quase seis horas para consertá-lo. Seguiu viagem e logo veio a penumbra da noite que caiu sobre a estrada sem a mínima sinalização. Faltavam ainda quinhentos quilômetros, mas sabia que todo este esforço valia à pena, pois seria compensado ao encontrar com sua adorável Jéssica que já o esperava na estação rodoviária. A saudade era imensa, pois há mais de um ano não se viam. O pior, quiçá, ou melhor, é que o casamento deles estava marcado para o dia seguinte. Mário, exausto, mesmo chegando poucas horas antes, casou-se.

Amanheceu. O sol já se despontava no horizonte. O céu estava azulado e nenhuma nuvem a importuná-lo. Despediram-se dos familiares, ajeitaram as malas e partiram rumo à bela cidade de Santana do Agreste. Minuano foi ficando para trás. À frente enfrentariam a mesma estrada poenta, esburacada, mas certos de que levavam em seus corações esperanças em dias melhores e depois da lua de mel, voltariam para enfrentar as nuances imposta pelas terras que teriam que cuidar. Foram muitos os heróis anônimos, também conhecidos como motoristas, que trafegavam de ônibus nas piores estradas brasileiras. Lama, barro, terra, buracos, desvios, pontes perigosas, animais selvagens, chuvas torrenciais, os ingredientes de uma viagem deste tipo são muito marcantes. Uma análise feita por uma especialista mostra como é o dia a dia destes corajosos cidadãos brasileiros. O ônibus em que Mário viajava com Jéssica se desviava das ondulações feitas pelas máquinas gigantescas, enquanto o rosto dele se deleitava sobre o ombro dela. Enfim, chegaram a Santana do Agreste. Com o corpo e semblantes cansados, eles desceram do ônibus e seguiram rumo ao novo lar. Entraram na casa e de imediato abriram as portas, escancaram as janelas para tirar o mofo e facilitar a entrada de ar para purificar o ambiente abafado. Mário foi até a janela, olhou para o céu, suspirou e disse: nunca fiz da vida uma epopéia, mas se foi epopéia ou não, nada foi em vão, pois conheci a Jéssica, a mais bela de todas as mulheres...





Professor Otávio, meu eterno mestre.

domingo, 15 de outubro de 2017

Professor Otávio, meu eterno mestre.A diferença entre professor e mestre, é que o professor ensina o que a gente precisa, no caso, o básico, já o mestre testa até onde a nossa capacidade pode alcançar, nos fazendo crescer. Partindo desta pequena premissa quero falar do meu saudoso professor Otávio que há décadas está lecionando em outra dimensão. Ele era diferente, nunca me dizia o que fazer, o que estudar, o que aprender, deixava tudo por conta da minha sensatez, da minha vontade de crescer pessoal e  profissionalmente. Ele que hoje já se encontra em outra dimensão, deu-me oportunidades, descortinou meus horizontes, impregnou em minha mente uma vontade férrea de aprender, de como pesquisar, de como saber cada vez mais e mais... Transmitia um amor pelo conhecimento incontestável e pela verdade que tudo o que via pela frente parecia perder a importância; ele mostrava que, se a gente queria alcançar conhecimento, alcançar a verdade, um objetivo na vida, ou seja, lá o que for, a gente tinha que batalhar e lutar por eles, porque a verdade não é manifesta.

Quando a gente encontra um mestre assim, a vida nunca mais é a mesma e eu, entre outros mestres que passaram pela minha existência, tive a sorte de encontrar o mestre Otávio. O que ele e outros nos transmitiram não era dado, não era informação. Talvez seja conhecimento, mas é mais do que conhecimento: era o amor ao conhecimento; era mais do que a verdade; era o amor à verdade. Talvez esteja muito próximo de sabedoria. Quantos, para se chegar a "doutores", não precisaram de um mestre. Certa vez um professor que me abstenho de falar o nome, me disse que o último ano do ensino médio era para a gente se tornasse uma pessoa mais madura e deixássemos de viver de fantasias. Hoje, lembrando de suas palavras entendi que não era tão dirigida pra mim porque sou um aprendiz de escritor e de poeta, sei lá. Só sei que a fantasia, o real e o surreal andam lado a lado comigo, nos livros que leio nas poesias e crônicas que escrevo.

Hoje ao escrever este artigo, que será publicado na próxima quarta-feira, por questão de páginas cedidas pelo DM aos articulistas, comemora-se o dia dos professores, para alguns não há o que se comemorar... Mas eu acredito que temos muito a comemorar; embora ainda sejam muitos os desafios... Justamente pelas dificuldades e obstáculos que enfrentam a cada dia, por superar seus medos e limitações, por ainda acreditar em seus alunos, por ter responsabilidade com a profissão, de poder transmitir conhecimento, porque há sempre algum aluno que respeita o professor e que o enche de orgulho. E por acreditar no seu potencial e quiçá, no crescimento de cada um de deles e que vencerão obstáculos. Formado em direito e fora dos bancos escolares hoje o tempo tem sido meu professor, e sua principal lição é ter me ensinado a ter paciência necessária, me ensinado de como esperar, pois aquilo que queremos colher requer algum tempo.

Há aqueles que lutam para aprender e reter conhecimentos; há os que aprendem se dedicam e não medem esforços para ensinar. Não se trata apenas de amar a profissão, mas ter o sagrado dom de amor ao próximo. Hoje e todos os dias é tempo de aprender e de homenagear a quem ensina. Meu eterno agradecimento aos meus professores de infância, por terem lapidado e me ensinado a andar por caminhos até então desconhecidos. Por fim, termino com a frase do escritor, professor e pesquisador Augusto Cury: “Professores brilhantes ensinam para uma profissão. Professores fascinantes ensinam para a vida”.



Será que a falta de visão pode aprisionar nossa mente?

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Sou do signo de Aquário e até concordo da forma de como os astrólogos o define. Dizem esses estudiosos que ele é um signo progressista, de vanguarda, pois é regido por Urano, planeta das mudanças súbitas, da inovação de pensamento. Dizem mais que o signo de aquário representa o futuro, as reformas sociais e tudo o que é alternativo. Aquarianos além de enxergar o infinito, vivem cem anos na frente, não se deixam aprisionar e valorizam a liberdade, a independência, a amizade e a fraternidade. São imprevisíveis, idealistas e criativos. Então, se é assim definido e fazendo parte daquelas pessoas que não têm a mente aprisionada por falta de visão, pareço que encaixo nas entrelinhas deste preâmbulo.

A alegria que carrego comigo é fruto de uma vida cheia de oração, de comunhão com Deus, de treinamento e conquista pessoal e profissional. Entendo, no entanto, para se chegar a isso é uma virtude que precisei conquistar e exercitar, aprender, até que se firmasse como uma parte de minha personalidade. Todavia, entendo também que não importa qual signo, o que interessa é que todos possam se unir e semear somente ideias positivas, colher os frutos da sabedoria e da alegria de viver aqui na Terra.

Eu, você e as pessoas que nos cercam somos seres humanos, um ente social que precisa viver em sociedade, não importando qual tipo seja, pois cada uma apresenta culturas próprias, tradições, crenças, valores os quais são moldados pelo modo de pensar dominante que vai sendo incorporado em cada novo integrante da mesma. O indivíduo desde os tempos remotos são treinados para a autodefesa, a preservação desses valores e crenças, não obstante faltar em muitos os preceitos de honestidade, dignidade, amor e respeito. O que observamos ultimamente é que a humanidade está doente e coisas horripilantes vêm acontecendo diariamente, uma matança sem dó ou piedade mostrada peça TV, deixando-nos incrédulos e sem entender o porquê de tudo isso. Está faltando respeito ao semelhante e nem sabemos de onde vem o ódio; está faltando respeito, inclusive, aos integrantes mais frágeis da sociedade, como também aos animais e à natureza. E por falta dessa visão é que se nota que a mente humana não está sã, de alguma forma aprisionada, e é através dessa descoberta, por mais experientes que formos e se não haver justiça social nós jamais seremos capazes de curarmos dessa cegueira.

O grande perigo que nos cerca cotidianamente quando sentimos essa falta de visão é quando cai sobre nós uma sombra coletiva, a qual aprisiona nossa mente e se transforma numa sombra individual que pode ser incorporada ao nosso modo de pensar e que a gente aceita como verdade devido à ignorância e a falta de reflexão de cada, e assim, passamos a agir segundo sua orientação, e em razão disso, passaremos a sofrer todas as conseqüências decorrentes dela. Porém, entendo ser impossível abrir os olhos de quem quer continuar na escuridão da cegueira, limitando-se ver o mundo em sua volta a qual, na realidade, podemos dizer que a cegueira maior é quando não enxergamos sequer a beleza do mundo que existe dentro de nós.

Eu como tantos outros indivíduos sempre procuramos mudar a nossa rotina, mas, quanto aos nossos valores, muitos de tão arraigados, nem se cogita em refletir sobre eles, se estão corretos ou equivocados. A sociedade em que vivemos às vezes traz novos conceitos, novas ideias pra ela, e para isso, urge impor uma nova moral, novos modos de como agir e até criação de legislação específica. Quando não se sabe as implicações que o novo pode causar na vida, melhor é agirmos com prudência; não deixando que nada se aprisione a nossa mente e nem deixemos que nos force comprar “alguma coisa” sem antes analisá-la. O indivíduo deve sempre usar a inteligência e o discernimento para avaliar o que há por trás das ideias que surgem a cada instante no seu convívio. 

Habitamos na Terra e isso é fato, mas jamais podemos desconhecer que é uma dádiva divina, por isso e crendo, jamais deixemos que a falta de visão aprisione nossa mente, pois é a grande oportunidade que temos de iniciar a reparação de erros ocorridos no passado. Precisamos, com toda nossa força, com toda nossa vontade, com todo nosso empenho, aproveitar a oportunidade de estar habitando este planeta que logo pode nos dar a condição de termos um ambiente onde a tendência ao bem seja a tônica.

Por fim, reafirmo que a falta de visão realmente aprisiona nossa mente, então, devemos conscientizar-nos que ser fraternos e estender a mão ao mais humilde são simplesmente uma questão de escolha, e de alguma forma, está libertando sua mente que, talvez, se achava prisioneira. Essa cegueira mental está relacionada ao egoísmo, à ambição, ao ódio talvez criado sem motivo algum, à falta de generosidade e os interesses pessoais, que são muito mais importantes que os interesses de um grupo. Graças a Deus nós temos a dádiva de Tê-lo com a gente todos os dias, nos direcionando em busca do bem e para que possamos escolher o caminho da fraternidade e, com isso, merecermos ser habitantes da Terra em sua nova e breve etapa, e caso não consigamos esse intento nesta existência é porque estamos com a mente aprisionada, resignada, todavia, aquele que crê na existência de um Pai Celestial e não tem visão aprisionada, sempre existirá esperança.





 
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