Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

Amizades com vígulas, sem ponto final.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Quando se tem hábito de escrever, seja uma crônica, bilhete, carta ou uma mensagem através da internet, pergunta-se se deveria ou não acrescentar ou tirar alguma vírgula. Entendo que não, pois a importância da vírgula é tal que, se a colocarmos no lugar errado, o sentido do texto pode mudar e comprometer o entendimento do texto. Segundo o Houaiss, "vírgula é um sinal gráfico de pontuação, indicando uma pausa ligeira, usada para separar frases encadeadas entre si ou elementos dentro de uma frase". Analisando dessa maneira até parece fácil, mas não é, pois na hora de inseri-la no texto, não é tão simples assim. Então, no texto de hoje, vou usar a vírgula para falar da amizade. No meu ponto de vista entendo que a amizade pode até começar com um ponto, mas quando ela é verdadeira jamais se deve usar ponto final, apenas vírgulas, porque nunca termina. Normalmente ela deve ser especial, algo que damos como especial, assim como aquele orvalho que pousa sobre a folha, e o sol, em chamas, por amor evita evaporá-lo. É importante é entender isso e que saibamos quando não podemos mais caminhar juntos, mas que possamos enxergar nesse possível fim um novo começo ou recomeço sem se preocupar com o ponto final. Afinal a amizade pode ter sido transformada para melhor e a relação pode estar passando por um tipo de mutação. 

Sempre é saudável o começo de uma amizade, mas que aos longos dos anos de convivência, irá passar por uma metamorfose quase inevitável. Mas porque ocorre isso? Somos humanos e como ser humano tudo que ocorrer é imprevisível. Um possível desgaste poderá ocorrer também enquanto não houver respeito e pelos menos resquícios de amor no coração de cada um. Saudável também é o recomeço que nos permite desfrutar de uma amizade que foi duradoura, sem saudosismo crônico ou arrependimento pelo que poderia ter sido, infelizmente ou felizmente não foi.

Esmiuçar os fracassos e distribuir as culpas de uma amizade que se evaporou há décadas é perda de tempo. Cabe a cada um discernir o que aconteceu e se possível, ficar em silêncio, porque se tratava uma pessoa amiga que nunca traiu. É claro que haverá a saudade, talvez a lembrança do que ela significou pra gente um dia, mas haverá também o comum acordo, uma espécie de contrato imaginário em que ambas as partes concordam que o que tiveram foi sublime e importante demais para que continue. E, ademais, caso tenham também que ouvir falar mal um do outro depois de uma prazerosa convivência. E por ser tão sublime e único, neste caso, entendo que a amizade realmente merece um ponto final. E sabe por que devem colocar ponto final? Porque continuar com a amizade esmiuçada à boca miúda seria constranger o sentimento que a sustentou, seria assistir submissos à transição lenta e progressiva de algo que um dia deu certo para um ciclo de culpa, de cobranças, de raiva, de falta de admiração. E é sabido que quando se perde o respeito e a admiração, perde-se a essência e o propósito de uma eterna amizade.

Eu detesto ver um texto sem sua devida pontuação, principalmente do uso da vírgula. A vírgula faz muita diferença no sentido das frases. Não sou muito bom em língua portuguesa, mas me esforço muito para cometer menos erros. Quando escrevo errado é como me perder no universo mórbido e não retornar ao início de tudo, principalmente quando me sentir combalido e insuportável aos olhos de quem lê. Todavia, fico esperançoso de que as minhas mãos se soltem sobre o ombro da pessoa amiga e mesmo cansadas, possam acariciar e acalentá-la. Se eu conseguir finalizar o texto que ele chegue silencioso, que se instale e tome forma numa troca de mensagens ternas, reafirmando a cumplicidade latente: ambos saberão que realmente se chegou ao fim. Aceitarão o conteúdo. Encenarão um adeus, e aí sim, poderão colocar ponto final.

Além dos aspectos delineados, há que se ressaltar que a vírgula por si só mantém uma estreita relação com a intencionalidade discursiva, ou seja, sua existência ou não depende muitas vezes da intencionalidade do falante ou da pessoa que escreve. Eis aí o ponto fundamental que nos permitirá chegar ao ápice de uma discussão. Poder-se-ia dizer que a a
mizade deu certo. Deu tão certo que acabou da forma certa e no momento certo. Apesar de se usar muito o chavão, “que foi eterno enquanto durou”, mas por outro lado, procurando entender que a vida não finda ali, no puxar de uma simples mala, na batida de uma porta, no latido de um cão, no silêncio de um celular ou mudez na internet. Entender que o ponto final deu lugar a uma vírgula para evidenciar que não houve ruptura, e sim, para auxiliar numa passagem branda, num antes e depois que diferem apenas na ausência física do outro, mas que não anula os aprendizados e as vivências que ambos experimentaram enquanto foram amigos. Entender por fim que todo esse ato possa permitir aos amigos seguir a vida com outros planos e sentimentos, tendo o término dela como pano de fundo para outros quadros, com outras cores e perspectivas, enquanto seguimos captando novas amizades, procurando não usar ponto final, somente vírgulas, com intuito de manter a alma leve e consciência tranqüila.






Oficina Poética - Rastros de mim.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

A ESCRITORA ELIZABETH ABREU CALDEIRA DE  BRITO, CRIADORA
E EDITORA DA PÁGINA "OFICINA POÉTICA" DO DIÁRIO DA MANHÃ, PUBLICOU ALGUNS VERSOS  MEUS, EXTRAÍDOS DO LIVRO "RASTROS DE MIM", DEIXANDO-ME BASTANTE SENSIBILIZADO.  CLIQUE SOBRE ESTE LINK PARA MELHOR VISUALIZAR 
"https://impresso.dm.com.br/edicao/20170813/pagina/24





Do jornalismo ao tatame

quarta-feira, 9 de agosto de 2017


No mundo de hoje é justamente no meio familiar que mais se briga, seja no ringue da sala, seja no tatame do quarto, seja entre as cordas invisíveis, ora esticadas na cozinha, ora no banheiro, ora nos corredores, e é em família que, com aparente paradoxo, mais se ama, pois a família é feita exatamente para se amar e o fervilhar, cheio sentimentos, e por sua própria força, pode explodir quando menos se espera. Sabemos que a grande paixão do brasileiro é o futebol, mas nos últimos anos outros esportes vêm ganhando muitos adeptos. O vôlei e a natação são grandes exemplos. Todavia, um esporte que vem crescendo de forma significativa é o Jiu-jítsu. Muito disso deve-se ao fato de termos grandes representantes em torneios de MMA. As academias de Jiu-jítsu estão abarrotadas de alunos que, além de querer se defender e praticar um esporte, eles acabam seguindo a moda.

Partindo desse preâmbulo quero aqui falar de uma pessoa que batalha pela vida: a jovem MMS, jornalista e lutadora de Muay-Thaiy. As iniciais é MMS e não MMA, pois esta segunda é arte marcial que incluem golpes de luta em pé e técnicas de luta no chão. A MMS de quem falo pratica além Muay Thaiy, o futevôlei, e se chama Meyrithania Michelly de Souza e é editora da página Opinião Pública. Não sei contabilizar quanto tempo, mas certo dia ao passar pela redação do Diário da Manhã eu a vi pela primeira vez. Manuseava com destreza o computador e foi fácil observar o seu dom jornalístico. Acho que desde pequena já sonhava tornar-se uma jornalista, ser um Batista Custódio, um Alexandre Garcia, um Armando Nogueira, um Paulo Francis, uma Mirian Leitão, uma Rachel Sheherarade, uma Ana Paula Padrão, uma Silvia Poppovic... Adentrei-me sorrateiramente à sua sala e fui recebido com muita atenção. Com um sorriso meigo, prontamente me atendeu, se importando comigo sem saber que há mais de 10 anos eu já escrevia para o Diário da Manhã. A sua fisionomia se transformou e soltou um sorriso meio maroto que tomou conta de seu rosto de menina, cheio de nuances e circunstâncias indescritíveis. Muito paciente, mas com dedos ágeis digitava alguma coisa, mas mesmo assim parou para me atender. Como editora da página Opinião Publica controlava via on-line todos os textos enviados por articulistas sem omitir opinião, e atentamente, os revisava, e foi aí que percebi que os escritos noticiosos se materializavam em seus pensamentos, lia e relia, captava as emoções dos autores e observei que ela se emocionava também. Era fácil perceber em seu semblante a sua vontade férrea de se tornar uma grande jornalista, pois há anos que venho percebendo a sua capacidade criativa, de captar mensagens e expressar seus pensamentos sobre o que lia, sabendo de antemão que nenhum texto poderia ser publicado antes de ser revisado, notadamente, sem alterar o seu conteúdo ou objetivo que o autor pretendia alcançar.

Descobrira que tinha gosto pela leitura, principalmente pela poesia e histórias onde se fala do romantismo, e até pensa em escrever um livro de romance que sabiamente passará para o papel. As suas publicações noticiosas e literárias eram e ainda são repletas de frases de efeito e quem lia e lê viaja junto com ela no mundo imaginário que cria. Daí começou realmente a paixão pelo jornalismo, cujo diploma recebeu há mais de quatro anos. Mas voltando ao seu recanto de trabalho naquele dia comecei a perceber também que quanto mais triste ficava, mais escrevia, e artigos publicados foram vários, mas acredito que não havia assim tanta tristeza na sua infância, e talvez, era a única pessoa que transformava a sua tristeza em um rico texto. Pelo visto ela lia, escrevia e digitava até dormir... E acredito que sonhava com o que escrevia.

Talvez ela tenha nascido com aquele sentimento jornalístico, pessoa que sofre com o sofrimento dos outros, que não aceita injustiças, e aí, logicamente, sentia-se um vazio imenso, a falta de algo que não sabia o que era. E com esses sentimentos à flor da pele escrevia... Só restava ler e escrever como forma de colocar pra fora suas angústias e lamentos e decepções. Não posso descrever aqui o que ela que pensa, mas acredito que escreve na esperança de que seu trabalho de levar notícias e ou mesmo como editora da página Opinião Pública, alcance, oriente e mexa com o coração do mais exigente leitor. Nos tatames da vida o jornalismo falou mais alto, pois ele deve ser o que mais se aproximou do seu desiderato. E é lá detrás daquela pequena mesa que toma para si as dores do mundo. Sofre pelos os famintos, pelos desabrigados, pelos torturados... O mundo não é um lugar seguro e precisa passar isso à sociedade. É detrás daquela mesa e manuseando o computador que se regozija de participar da trajetória de pessoas importantes, tão queridas, tão especiais, sejam governantes ou governados. O jornalismo agradece por sua agilidade, pela criação do site http://www.opiniaopublica.net.br/, que veio para estreitar contatos e disponibilizar ferramentas que possa produzir efeitos concretos e eficientes para publicação de artigos ou crônicas. Por fim, hoje ao vê-lo já vagando pela internet, sem pestanejar, parabenizo-a. O Site não foi criado para gerar problemas, mas para levar soluções e pensamentos aos leitores ávidos por novos conhecimentos.

Ver a superação, a grandiosidade de algumas pessoas, fazer parte de suas histórias e poder contá-las em forma de crônica é uma honra, um privilégio pra mim. Apesar de saber que sofreu um gravíssimo acidente de carro, em 2004, no qual os médicos disseram que ela ficaria com seqüelas, por conta de uma fratura na bacia, todavia, guerreira como sempre, seis meses depois ela já estava a todo vapor nas atividades físicas e dentro do tatame.   Agradei-me escrever sobre ela assim como, para o DM, e é através dele que observo e vejo notícias sobre o universo da política. Antes enxergava tudo como se fosse uma mera reprodução das opiniões que chegavam até a gente, cheia de argumentos frágeis e de contradições mascaradas com radicalidade agressiva... Não admito ser contrariado, até mesmo dos meus absurdos! Felizmente, essa sensação incômoda que talvez ela possa sentir não seja suficiente para afastá-la de sua vocação.

Por outro lado, sua visão do mundo, os seus pensamentos, seus exemplos, foram perceptivos pela direção do jornal, seu ideal, e sua forma de lutar por um mundo melhor. Mesmo atuando também como pequena empresária do ramo de locação de vídeos e DVDs, e engatinhando no exercício do jornalismo ela vê muita miséria, criminalidade, corrupção, dor, velhinhos abandonados em asilos, crianças e adultos morrendo por falta de leito ou morrendo no próprio leito. Todavia, MMS jamais pensou ao fazer jornalismo que seria assolada pela maior de todas as misérias: a falta de amor ao próximo e respeito ao ser humano como vem ocorrendo no Brasil com a banalização da violência. Pessoas estão matando sem dó, e ás vezes, apenas para ouvir o gemido do desafeto. Mas, não é essa sua única batalha, quantas jornalistas como ela estão sendo amordaçadas, sofreram e estão sofrendo com tudo isso? Conheço tantas e tantos, e como articulista deste jornal, hei de voltar a comentar mais sobre isso, porque hoje, já sofri demais com tantas injustiças e notícias nefastas e injustas.

Na minha adolescência também dava as minhas pinceladas jornalísticas criando até um jornal na minha comunidade intitulado: Tribuna Comunitária. Entretanto, diferentemente dela, formei em advocacia. Mas, viciado em escrever, tornei-me também escritor e articulista do Diário da Manhã e aí, tento escrever e atender suas orientações. Debruçando sobre letras e brincando com elas, vou imaginando e quando menos se espera me sinto viajando pelo mundo da imaginação na ânsia de levar ao leitor o melhor, do jeito que o jornal quer e do modo que se faz. Procuro, às vezes, escrever de forma sutil, sensível, poética, romântica, sempre com o intuito de alcançar o coração das pessoas e afastar qualquer hipótese que indique qualquer inaptidão minha.



O mundo imaginário de um escriba

quarta-feira, 26 de julho de 2017

No caminho da imaginação ora vislumbramos estradas em linha reta, ora cheias de curvas e outras que se partem em duas. No final de uma reta ou curva sinuosa, usando as asas da imaginação, é possível ver a vida recomeçar, é possível chegar até a lua, beijá-la, e sem turbulências ou instabilidade alcançar o impossível: o fim do infinito. Quando ficamos diante de uma estrada partida em duas, com rumos diferentes, vem-nos a dúvida qual delas nós devemos seguir. Mas nossos olhos atentos, aguçados, talvez com a ajuda de óculos de grau são possíveis vê-los se comunicarem de forma sublime porque eles são a janela da alma e nos faz sentir próximos daquilo que perece intocável. O amor que gera a vida nos oferece sonhos, às vezes reais, às vezes surreais ou sequer imaginados, trazendo em seu bojo noites de insônia, que fazemos de tudo para serem levadas pelos mantos da noite e quiçá, molhadas pelas lágrimas que se deleitam no travesseiro impedindo que o ar que mantém nossa vida se extinga.

Quando escrevo nem fico perplexo da forma que uso a minha imaginação. Em certos momentos, nas entrelinhas do meu silêncio, posso até chegar ao cúmulo do absurdo, todavia, tenho grande facilidade em criar personagens, alguns, suficientemente sólidos, e neles, imagino em cenários e situações bastante estranhas, e até certo modo, esdrúxulas! Eis as palavras corretas. Numa imaginação fértil, basta uma frase solta ou um comentário de alguém para a gente comece a desenrolar o fio de uma narrativa... Mas, às vezes, isso também pode me irritar um pouco. De uma breve conversa com qualquer pessoa é possível tirar as mais esquisitas conclusões ou começar a divagar sobre sua vida e colher hipóteses impossíveis. Quanto e mim, procuro construir um mundo paralelo, onde tudo pode acontecer de acordo com o que já vi ou ouvi. Um mundo onde tudo é possível, onírico, e eu onisciente, divirto-me com todo esse jogo que só o mundo imaginário pode oferecer.

Interessante é que isso realmente me irrita um pouco quando não sou entendido: é apenas minha imaginação... E pensar que existem pessoas que não imaginam, mas agem dessa maneira! Agem como se todos fossem marionetes, manipulam quem está por perto e só pensam em tirar proveito de tudo. Então neste caso não vale a pena imaginar, viver o surreal. Devemos criar um mundo de fantasia só nosso, de forma despretensiosa, onde possamos ser um ser qualquer e onde quiser... Parece um tanto egoísta esta minha citação, mas, é humano. Agir assim, agir como um Deus, não é heresia, mas covardia. No mundo que eu imagino não há razão para esse tipo de confrontos e nem de medo. 

Faço todos os esforços para levar o leitor a um lugar imaginário, mas sempre com base num fato real, seja correto ou não, boa ou não, procuro sempre escrever de forma reflexiva. Todavia, será que tenho que agradar a todos? A minha consciência às vezes me deixa na dúvida, se é que exista razão para isso. Escolher a forma de escrever ninguém me controla, mas quando estou escrevendo paro, penso e reflito, pois é mais um texto que pode estar alcançando leitores com diferentes entendimentos, uns incautos, outros exigentes, críticos, pois todos estão ávidos por um por uma boa leitura. O procedimento da escrita jamais pode estar em processo deterioração e eu me importo com isso, com cada frase, aceito críticas, mas recuso a forma de como vão concluir o raciocínio, se dentro da lógica ou de uma interpretação correta. É lógico e correto a gente dizer: Por muito tempo acreditamos na existência de Papai Noel, no bicho papão, na mula sem cabeça, em vampiros, Saci-Pererê e tantas outras coisas oriundas do folclore brasileiro, e só com o passar dos anos é que a gente vê que tudo não passava de coisas criadas pelo mundo imaginário de nossos ancestrais.

Acredito piamente que na vida há uma consciência de que alguma coisa nos levará onde não queremos; coisa que nos conduzirá a mudar nosso modo de ser de forma mais sutil, mas jamais na sua totalidade. A vida é cheia de armadilhas e elas são tantas que tentam nos esmorecer e nos tirar dos nossos focos, e assim sendo, cabe-nos alterar ou fugir dessas armadilhas pra não cairmos na velha e traiçoeira rotina. Acredito também que algumas coisas que acontecem na nossa vida são ilusões, devendo a gente deixar de alimentar nosso espírito pra não cair na loucura das incertezas que nos deixarão desnorteados e sem rumo. Quero crer ainda, e creio, pois se eu ficar margeando as cruezas da vida restar-me-á somente a dor, as incertezas e desilusões, por isso é que gosto de ler, escrever, e lendo e escrevendo, cotidianamente, acredito mais e mim e quiçá, no ser humano também, pois como escriba eu posso viajar no mundo da imaginação, me reconstruir pra sobreviver às mazelas da vida.



O cronista sob o olhar do sol

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Eu sempre pensei assim: Um cronista é como um rio, ora pode ser largo, ora estreito, pois cabe no seu leito apenas aquilo pode ser dirigido, orientado de modo a não colidir com outros objetos que porventura naveguem no mesmo espaço. No entanto, se uma simples canoa se encontrar à deriva e não tiver timoneiro, ela será arrastada pela corrente e será um perigo constante para os que no mesmo espaço navegam. No que tange ao cronista é nessa comparação que se vislumbra também certo perigo, fato que ele deve atentar-se, dirigindo a leitura de forma suave, agradável, concisa, inteligente, de forma que venha alcançar o coração e compreensão dos leitores.

Partindo deste pequeno preâmbulo posso dizer que sou apenas um rego d’água que durante seu percurso é abastecido por várias minas, para, finalmente, cair em cachoeira. Essa cachoeira é minha salvadora, pois é nela que deposito meu saber. Insuportável, no entanto, é saber que ele tem a permissão minha para ser juiz da minha existência. No seu leito deslizam águas que alimentam o meu espírito. Se for assim, então será que sua majestade o sol que ilumina meu caminho, poderia abrir meus olhos e mostrar quem sou e porque me tornei cronista aqui neste rincão? De certo modo há de se suportar a alegria daqueles que não conseguem deslizar sobre essas águas mansas, mas que, de alguma forma, se divertem, inconscientes do impacto que seus prazeres têm sobre a alma de um cronista. Sim, sob o olhar do sol escaldante eu me evaporaria de emoção... Ficaria feliz, imensamente feliz se cada uma de minhas escritas se evaporasse, e evaporada, tocassem, como suores ou mesmo como lágrimas, a sensibilidade de meus leitores.

Tomara que sob o olhar do sol mesmo em pleno inverno não ocorra apagões em nossa memória e não sejam capazes de encobrir por muito tempo o nosso real desiderato: o gosto pela escrita. Toda vez que o coração do cronista se resfriar, a respiração se fizer áspera demais e o momento da gente descobrir maneiras para se cuidar. Que lá no fundo, bem fundo mesmo nos reste sempre uma brecha qualquer, ínfima, tímida, para ver também um bocadinho de céu bem azulzinho escancarando em nossa direção os olhos do sol. Tomara mesmo que os nossos enganos mais devastadores não nos roubem o entusiasmo de escrever para que possamos semear sobre o chão, letras e mais letras. Que a lembrança dos pés feridos, mas valentes, que usamos descalçar os sentimentos, não nos tire a coragem de voltar a ter confiança no futuro. Mas se doer muito que nossos pés e o corpo encontrem um lugar para descansar em paz na região mais calma da nossa mente. O medo existe, mas que não seja tão grande para ceifar o nosso amor pela escrita. Tomara que a gente não desista de ser quem somos, por nada, por nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer o nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades não sejam permanentes. Que friagem nenhuma nesta estação seja capaz de encabular-nos diante do olhar do sol que nos traz um calor gostoso e que, mesmo quando estiver queimando nosso rosto, não o percamos de vista, nem de sonho a ideia da alegria. Tomara que apesar dos pesares a gente continue sendo valente o suficiente para não abrir mão de sermos felizes.


Calou-se uma voz e um som de viola

quarta-feira, 12 de julho de 2017



Tempos idos ouvi a música “Grito de Amor”, cantada pela dupla sertaneja Felipe e Falcão. O som inebriante de suas vozes e viola aguçava meus ouvidos e me fazia ir além de mais além. No moirão da porteira olhava rumo ao horizonte em busca de lembranças, mas lembrar-me de quê se eu era apenas um jovem sonhador. Mas como a uma canoa invisível que desce rio abaixo, naquele dia me fiz invisível também e me acomodei sobre um tronco de madeira para continuar ouvindo outras canções deles através de um CD, e sempre fazia em todos os finais de tarde, depois de um dia exaustivo de trabalho na fazenda Pomares. Como era bom escutar o ponteado da viola, cujo som ao ser levado pelo vento parecia rasgar o céu que cobria aquele pedaço de chão. Apaixonado pela música sertaneja restava-me ficar ali sentado naquele tronco de madeira e apreciar cada nota musical. Era como se estivesse sonhando. Nunca em preocupei em saber o nome verdadeiro de Falcão, o apelido já bastava para mim e talvez, para as andorinhas, bem-te-vis e araras também, que enfileirados, passava ao meu redor em voos rasantes, contentes, como se aquela voz grave de Falcão confortasse a nossa alma. A cada canção  perecia remar com a gente a favor da correnteza da vida e nem sentíamos a existência de águas profundas, mas em certos momentos sentíamos aperreados em face do acúmulo de tantas coisas, talvez mal resolvidas deixadas prá trás, a maioria esquecidas, outras apagadas pela borracha do tempo. 

Dia 18 de setembro de 2017 completará seis anos de sua passagem por este mundo. Ao ouvir “Grito de Amor”, um dos maiores sucessos da dupla, veio à minha mente lembranças do meu conterrâneo Falcão que amou e sempre honrou a cidade de Morrinhos, então, procuro recebê-las igual a uma cachoeira que cai mansa sobre um poço profundo, todavia, memórias não se apagam, ficam gravadas em nosso subconsciente trazendo tudo de volta, sejam boas ou más, e chegam, de uma vez só, restando-me arquivá-las da região recôndita de meu cérebro como se fossem gotas de suor saídas da alma. Ah, que dom e voz tinham Felipe e Falcão! As vozes e o som da viola ecoavam por aquele rincão goiano e se misturava com o canto dos pássaros mexendo tanto com a gente que nem tinha vergonha de ser chamado de caipira. Quem nasceu na roça entende o que falo, então, quanta emoção, quanto sentimento se acoplava na minha retina, que nada mais eram que coisas indeléveis de um homem sonhador. Quantos nós sentia na minha garganta, que nem conseguia desatar, nem subir ou descer, numa mistura de tristeza e alegria que só a saudade é capaz de criar. Dava até para sentir o cheiro da terra, o tênue vento e o toque da textura do chão molhado sob meus pés descalços.

Sabemos que viver como ele viveu nos palcos da vida é somar mais vitórias que derrotas. É ficar inchado de coisas que nos deixam pelo caminho. Raramente, os que morrem assim, são os preferidos de Deus. Morrer assim é como a um ícone romântico que deixa hígida e festiva a imagem do morto, de toda sua vida e do que poderiam ter ocorrido durante sua existência, assim como, todos os sonhos e realizações dele. Na parede do casarão de puro adobe do vovô Torquato um retrato emoldurado de Falcão, de perfil simples, que teve sua vida voltada ao romantismo e era visível observar a mistura de um permanente sorriso celebrando a vida, a juventude e a velhice. Era contagiante ver o seu jeito alegre e a forma de como cantava e compunha suas músicas sertanejas, de como enfrentava o dia a dia, de como encarava as tardes sem o pôr do sol, ou de crepúsculos opacos, avermelhados ou cinzentos. Observei atentamente mais que tudo nas antigas capas de CDs, as defecções, as rugas, mechas de cabelos esbranquiçados, rosto imberbe e a crescente solidão de ver um vídeo noticiando sua morte, um funeral cheio de pessoas que o admirava, cantando o “Hino do Motociclista” de que tanto gostava. Dia 18 de setembro de 2009, depois de um infarto, num leito de hospital em Goiânia, poucos ouviram o último suspiro, calar uma voz, um som de viola e perdermos o último dos românticos da cidade de Pomares.
  
O tempo passou e parece ter sido tão veloz que me restou apenas imaginar se ainda existe aquele tronco de madeira frente ao casarão de meu Avô Torquato e encostado à beira do moirão da porteira. Voltei lá após seis anos e por incrível que pareça ele estava lá intacto. De repente veio o vento e trouxe algumas ondas imaginárias sem me pedir licença. Naquele recanto, imaginei pegar pétalas de rosas no quintal e ver se elas ainda exalavam. Imaginei ver passar por aquele local as marés de incertezas e não ter a mesma reação que tinha no passado. Imaginei encontrar outras estradas e sonhar um sonho que sempre almejei sonhar, mas sabia que não conseguiria sem aquelas canções inebriantes. Imaginei-me numa estrada deserta diante de uma noite pesada demais mesmo sem ter pesadelos. Imaginei lembrar o passado sem assombros. Imaginei, mas preocupei-me porque poderia encontrar essa estrada cheia de escombros. Imaginei perder mais alguém nessa “estrada da vida”, onde já perdi muitos. Imaginei Deus ressuscitando sonhos que perdi. Imaginei a não existência de paraíso nem de inferno. Imaginei não existir pessoas que não lutam por nada e se deixam levar pelo mundo profano. Imaginei alguém dizer: Eu sou um sonhador, porque imaginei estar vivendo num mundo sem ganância, sem fome, sem mortes, sem preconceitos, sem desamor. Imaginei vivendo em irmandade fazendo o bem sem olhar a quem.  Imaginei poder compartilhar tudo o que penso, sem ofender ninguém. Imaginei encontrar a  felicidade e de ter localizado ao longo dessa “estrada” o amor e realizar alguns sonhos, que às vezes, ressuscitados, vêm com pesados pedágios, tributo que a vida nos impõe e que nos dificulta alcançar outros sonhos e objetivos antes de chegar ao ponto final. Imaginei, ah, se imaginei!

Entre riscos e rabiscos.

quarta-feira, 5 de julho de 2017


Tem certos momentos que a gente sequer vê o tempo escorrer entre as mãos e se perder no esquecimento, longe das fronteiras da vida que divide a nossa vontade de soletrar, de escrever, de ver o sol, a lua, de como escutar uma voz no deserto ou levantando um voo imaginário amparado pelo vento cruzando a linha do horizonte para só depois gravar nas telas do mundo meus riscos e rabiscos tudo que me vem da alma e da mente. Arrisco fazer alguns rabiscos poéticos, versos que não ditam regras nem rimas, personalizadas ou não vindas da emoção que sempre me fez sonhar e fluir minha inspiração. Escrevo pausadamente e nas entrelinhas do meu silêncio surgem o meu versar, sem censura e sem o devido controle, chego ao imponderável, e aí, paro penso, reflito, ouço o mundo que rodeia o meu céu e sem pestanejar bloqueio a razão, abro as comportas da emoção e deixo falar alto o coração.

Construo tudo em tempo real, seja no agora ou no amanhã, pois tenho que seguir os sinais que abrem caminhos. E quando estou diante de uma mansa quietude, entre meus riscos e rabiscos mergulho-me no manto negro de minhas solitárias madrugadas, sedentas de minha alma e é através desse mergulho surreal que construo, refaço, desconstruo, renasço, nasço, pois em fazendo assim passo a ter a certeza que minha existência jamais foi efêmera. Vou rabiscando, apago e rabisco de novo, escrevendo poesias com nexo e outras sem nexo, mas sempre inserindo nelas as falas do cotidiano. E assim vou levando a vida, algumas vezes estilhaçando a memória do tempo, esbarrando nas arestas da vida, entre sorrisos emudecidos, lágrimas e alegrias, e talvez advindas do meu jeito de poetizar é que surgem tantos e riscos e rabiscos que de alguma forma delineia o meu destino e o registra numa simples folha de papel.

De certo modo é controverso falar de gente que quebra as regras, que muda sonhos, que muda o seu jeito de ser e joga fora rabiscos antigos que fizeram parte de seu passado. É perigosa essa ação, todavia, eu gosto de gente que não tem medo, aliás, coragem pra tudo, que arrisca, ultrapassa os limites, corre riscos, que às vezes os chamamos de "loucos", mas às vezes, não procuramos entender que eles não encontram tempo pra nada, e a gente deixa de ser mais flexíveis com essas pessoas. Certo dia ao limpar umas gavetas eu encontrei textos diversos, folhas com simples riscos indecifráveis e outras com rabiscos compreensíveis, provas escolares, atividades exercidas, todas esquecidas, e nas entrelinhas dessas lembranças, percebi quanto tempo se passou e tanta coisa que já vivi e aprendi. É claro que mudei em alguns aspectos, mas permaneci com a mesma personalidade, com bastante transparência e gênio forte. Muitas pessoas já passaram pela minha vida, fui feliz com a maioria delas, mas todas, indistintamente, me fizeram aprender, crescer, tornar-me forte, vencedor. As que se foram para outra dimensão deixaram a saudade eterna. Mas com toda convicção posso dizer que meu hoje é melhor que o meu ontem e continuará sendo bom amanhã, e sempre com a mesma mente, o mesmo olhar, o mesmo sorriso, a mesma gratidão, a mesma cabeça pensante.

Pergunto a mim mesmo: Quantos textos eu escrevi e publiquei? Quantos livros eu escrevi? Será que era tudo isso que eu sonhava em realizar? Posso dizer que sou abençoado. O tempo passou rápido demais, mas procurei acompanhá-lo, pois ele jamais parou e foi deixando para trás deixando cicatrizes e o nosso corpo carcomido pelas intempéries desse mesmo tempo. O que dizer então? Olhar pra trás e acreditar que tudo aconteceu se tornou realidade? Sim, dizer sem entrelinhas simplesmente ou obrigado a todas as pessoas por fazer parte da minha própria história, mas dando a elas o gosto, o prazer, a reflexão, à vontade, o ponto e a vírgula de um jeito que só eu autor deste texto posso dar e receber para continuar a escrever minha história e principalmente depois de ler e dizer: Valeu a pena ter sonhado, ter chorado, ter caído, ter forças pra me reerguer. Valeu à pena confiar no meu Pai Celestial, ter a humildade e vontade de crescer. Valeu à pena escrever, correr riscos, riscar, rabiscar folhas, criar um blog, compartilhar, curtir e amar. Valeu mesmo!


Razão. emoção e o livre arbítrio.

sábado, 24 de junho de 2017


Nunca gostei de matemática, e por gostar de história, literatura e português, eu me formei em direito. Desde os tempos idos sempre gostei de frases de efeito, pois quando as usava levava ao leitor meus diminutos pensamentos e de alguma forma acabei me torno um formador de opinião. Pequenas frases que se bem interpretadas podem nos indicar quais caminhos a seguir. Talvez seja uma forma da gente administrar o improvável e tentar almejar o quase impossível. Meu espírito sempre foi livre e mesmo ele se tratando de uma coisa imaterial sei que abraçava e controlava junto comigo minhas razões e emoções, mesmo sabendo que tínhamos e ainda temos o livre arbítrio para decidir entre o certo e o errado. Hoje, ao formar minha opinião sobre alguma coisa ou notícias veiculadas na imprensa escrita e falada às vezes algumas opiniões podem parecer distorcidas da realidade, mas me conformo porque procuro escrever com clareza e sei que as palavras jamais adormecem em berços esplêndidos. Não é fácil dar opinião ou se manifestar sobre outra contrária a nossa, por isso pesquiso sobre o assunto e pesquisando sei que estou evitando magoar pessoas ou deixá-las descontentes. Quando escrevo sobre assuntos políticos mudo de humor facilmente. Irrito-me fácil quando leio algum texto contrário ao que penso ou em que a maioria da população pensa, e principalmente, sendo ele prejudicial ao nosso País, ou quando escuto mentiras deslavadas de corruptos e corruptores. Às vezes, diante do monitor, paro, reflito, elaboro algumas frases de efeito como resposta e as legendo, e, sem querer, brotam respostas que jamais encontraria se não tivesse a junção entre a razão e a emoção, consequentemente, o livre arbítrio. Hoje, ao escrever este texto acho que o extraí de um sonho que perdi, onde se digladiavam a razão e a emoção. Naquele sonho me vi chorando, logo eu que adoro sorrir e gosto de pessoas que sorriem. Mas tem nada não, pois bonito mesmo é essa parte imaterial da vida que chamamos de espírito, e, quando a gente menos se espera, a gente se supera. De posse do livre arbítrio e monitorado pela emoção e a razão, entendi que é a maneira mais sensata de se chegar mais perto de ser quem a gente é, mas a bem da verdade, a gente já é.

Ademais, ninguém melhor do que a gente pra saber o que é bom para a nossa vida. Ninguém, ninguém mesmo! Mesmo por mais experientes, por mais vencedores que são, poderão ditar o que eu e você devemos ou não fazer. Quando estiver diante de uma escolha difícil, o coração disser uma coisa e a razão outra você tem a seu favor o livre arbítrio para decidir, mas se resolver se calar, não dizer nada, deve ter pensado bem. O importante é não se deixar levar por uma coisa, nem outra. Se usar o incorrigível coração é bom saber que ele é levado pela emoção e tem tendência a fazer com que percamos um pouco a nossa razão, ou a capacidade de um raciocínio coerente. Todavia, a razão sozinha não poderá ditar normas e as regras da sua vida, nem tampouco os que convivem com você. E quando se fala em laço de convivência é muito importante não magoar e nem decepcionar ninguém, mas isso não deve ser à custa do sacrifício da própria vontade e necessidade de ser feliz. Ninguém, por mais próximo que seja, poderá decidir de que forma você deve viver. A vida é sua e você não tem duas ou mais vidas, só uma.

É muito fácil dizer às pessoas o que devem ou não fazer. Não é por que se está do outro lado da tela que se vê melhor. A verdade é que decidindo por nós elas se tornam responsáveis pelas nossas escolhas. Mas, no tocante a essa frase, seja de efeito ou não, pode ter certeza, não passa pela cabeça de ninguém. Sendo responsáveis e sofrendo nossas dores pode até fazer com que doa menos em nós, mas não podemos exigir e nem corroborar com isso. Ademais é digno e honesto de nossa parte cumprir promessas e desonesto não cumpri-las alegando somente que foi feito por dever, sem que haja um real sentimento movendo essa decisão. Ser honesto com os outros é muito bom. Mas, antes, é fundamental ser honesto com a gente mesmo.

Por mais doloroso que seja, por mais difícil que possa parecer, é necessário que libertemos do que pensam e dizem os outros. Pergunte si mesmo: o que eu quero para minha vida? Talvez nem saibamos exatamente o que queremos, mas sabemos muito bem o que não queremos. Quando nossa emoção (coração) estiver brigando com a razão (raciocínio), tentemos pensar no que vai nos fazer feliz em longo prazo. Mas, se sentirmos confusos, com mentes atribuladas, fechemos seus olhos e nos entreguemos nas mãos daquele que nos conhece bem: Deus. Mas façamos isso de verdade, usemos essa nossa parte imaterial desconhecida de todos nós: o espírito. Só Deus sabe do nosso amanhã, quando decidirá ou imporá sobre nós, mas vai certamente nos colocar uma luz para clarear nosso caminho e nos indicar qual deles devemos escolher. Eu aprendi que na vida a gente deve se habituar a tudo e somente as pessoas que se amam será capaz de entenderem. Então, usemos nossos espíritos altruístas e o livre arbítrio nos dado por Deus e tentemos encontrar o equilíbrio entre o que diz seu coração e a razão, mas sabendo sempre que a vida não é um corredor reto e tranquilo que a gente percorre livre e sem empecilhos, mas um labirinto, onde devemos encontrar entre os caminhos perdidos e confusos ou presos num beco sem saída, o certo.


Simplesmente cansei II

domingo, 18 de junho de 2017


Todos nós somos fortes o suficiente pra suportar a falta que alguém nos faz. No tocante a mim sempre procurei ser forte pra nunca voltar atrás e jamais me arrepender do que fiz e ou mesmo daquilo que deixei de fazer. No entanto, quando escrevia este texto comecei a pensar que não era tão forte assim, e queria apenas entender o que ainda me prendia aqui no meu recanto. Por que razão? Será assim tão forte? Eu procurava fazer de tudo do meu tudo, mas nada aliviava a falta que sentia talvez indecifrável, incompreensível para mim mesmo. Quem deveria se importar com meu tudo se desconhecia fatos e razões, mas isso não me importava, porque simplesmente estava me cansando de ser forte, todavia, sem me tornar totalmente fraco, pois a estrutura que adquiri durante minha existência não me deixou jogar fora a chance que dei e continuo dando a mim de me fazer feliz. Tudo, do meu tudo mesmo eu me abstinha de absorver em sua totalidade era para não sofrer diante de um acontecimento qualquer, inusitado. Hoje, entender o que acontece com a gente é o mais essencial para cada um de nós. Às vezes ignoramos o que nos transmite um olhar, um aceno, um afago, um sorriso, uma mensagem postada. Rimos e choramos, mas, possivelmente, expressando no rosto risos ou choros superficiais.

Cansei, mas não é de caminhar. O meu cansaço não é físico, é espiritual. Tão espiritual que não consigo me achar nos meandros de uma mansa correnteza, nem os meus devaneios imaginários que escrevia em folhas de papel, e de outra parte, recuperar os sonhos sonhados em noites primaveris ou aquietar-me diante de tantos pesadelos. Não obstante isso, cansado ou não, procuro sempre trazer um sorriso no rosto, mas acho que com o passar dos tempos estou me tornando uma imagem turva. Mas existe o tal do bem-querer que tenta deixar a gente forte, mas como ser humano que sou, fraquejo, e fraco, às vezes não consigo; não consigo nem sonhar com frio olhar de alguém que se esconde por detrás um muro intransponível.

Cansei de ser forte, porque ultimamente tem sido difícil manter tudo ao meu redor congelado. Esbarro nas pessoas como se fossem seres estranhos, mas sabendo que não são. Mas o mundo fez e continua fazendo grandes mudanças em nós e a gente tem dificuldade de aceitar alguém como uma pessoa comum, normal, que às vezes se destoa, não deixando bem o final de sua história. Torna-se ainda mais estranho é o jeito frio, jeito de não se importar muito com as coisas que se seguem até os dias de hoje, todavia, temos de acreditar que exista alguém, um Ser Supremo, com capacidade para mudar tudo isso.

Em busca de memórias boas e reflexivas para inserir neste texto, lembrei-me de muitas. Na verdade, mesmo cansado de tudo, eu nunca me esqueci de nada, apenas tirei do meu foco as mazelas e iniquidades que vem ocorrendo no mundo e em nosso País. Não foi tão foi difícil retirar isso e até me confortou, mesmo estando cansado disso e de tudo mais. É estranho quando alguém que estamos acostumados a dialogar discorda da gente, se contraria com qualquer coisa dita e escrita, e até some da nossa vida, mas deixam os rastros, gestos e palavras como lembranças. Acredito que foi através delas que encontrei forças para não deixar outras pessoas irem e dar valor às mais próximas, sem sentimento de culpa por ter sumido por um tempo de suas vidas. Só que hoje, de alguma forma, estou pagando por ter deixado algumas irem, e foi assim que descobri que ainda me restavam forças, que eu não sabia de onde tirava, mas certo de que elas chegavam para ocupar espaços que não eram meus, mas que eu amei ocupá-los.

E por mais que eu tentei enterrar o meu passado, acredito que sempre irá despertar reações estranhas em mim porque ele foi mais positivo que negativo. Tenho de convir que não seja somente eu, mas todo ser humano em geral precisará mais do que uma imagem para se satisfazer de seus anseios e vontade própria para consecução de seus sonhos e objetivos.

Até onde cheguei tive que ser ou mostrar-me forte, aliás, tive que aprender a ser forte e para isso passei por grandes tempestades, tive muitas decepções, engoli muita coisa, deixei de engolir outras e passei por cima de tantas e tantas outras sem ferir ninguém. Em determinados momentos me vi obrigado a construir a minha própria muralha. Se não bastasse, fui obrigado a andar sobre pedras pontiagudas, passar por barreiras quase intransponíveis que encurtavam o meu caminho e ainda, driblar todas as outras que foram aparecendo durante minha existência. Aprendi a ensinar meus ouvidos a ouvirem somente aquilo que me interessava e que fosse útil; aprendi a ensinar minha boca a falar somente o necessário e quando não ocorria me calava deixando apenas que o meu silêncio falasse por mim. Guardei segredos, ocultei palavras e às vezes as escondia em compartimento onde só eu e Deus tinha acesso. Por isso caro leito e leitora podem não gostar de meus textos que acredito serem às vezes sem nexo, mas não me julgue sem a devida sensatez, nem arremesse pedras ou palavras que me firam, pois poucos não viveram o que eu vivi, não passaram por tudo aquilo que eu passei, não sabe o quanto eu lutei para realizar um bom combate, chegar até onde cheguei e nem mesmo sentir na pele o que eu sentia. Eu posso dizer que já pensei até em parar de escrever e que cansei de tudo aquilo que passa ao meu redor, principalmente em relação à política rasteira e o dividido e conturbado judiciário brasileiro, mas é normal que todo mundo cansa, mesmo os esquerdistas e outros que se dizem contrários, mas antes que a gente fale um do outro, voltemos no tempo e caminhemos pela estrada da nossa vida, aquela que construímos durante toda nossa existência, pois só ela é capaz de repaginar a nossa história, e caminhando, teremos condições de dizer se praticamos o bem e alcançamos o sucesso e objetivos que tanto almejamos.


Voto de minerva e o de impedimento

quarta-feira, 14 de junho de 2017

No Reino da Fantasia chamado Brasil a voz das ruas não repercutiu nas discussões da Corte. Talvez aquele Poder Judiciário continue indiferente ao clamor popular, todavia, não se pode deixar que essa indiferença prejudique o clamor e nem contamine a independência judicial exclusivamente vinculada à obediência dos juízes à lei e ao Direito. Os juízes devem aplicar a Constituição e as leis e demitem-se de suas funções quando se submetem a outras “demandas” construídas sob fatos reais, provas cabais e notórias, de suma importância para o Reino e jamais serem decididas por um simples voto de minerva de uma votação empatada e ou mesmo de um voto de um Ministro impedido por Lei.

Assisti a tudo, perplexo. Perplexo porque eram tantas as provas apresentadas pelo nobre e competente relator, e tão convincentes que não me deixava dúvida quanto à cassação da chapa. Terminava a votação fiquei com "cara de tacho". Incrédulo! Aí perguntei a mim mesmo: Quem vai entender os petistas que clamam nas ruas ou nós, patriotas, que queriam também a saída de Temer: Nas manifestações de rua eles clamam, seja através de faixas ou grito: FORA TEMER! Mas como acreditar nesse pessoal, pois no TSE, um Ministro petista e ex-advogado de Dilma votou pela não cassação da chapa, mantendo-se assim, o Presidente Temer no poder. Realmente fiquei sem entender o posicionamento daquele Ministro diante de tantas provas acostadas no processo. Ademais por ser ele ex-advogado de Dilma em 2010, não importava qual ano, naquele processo tratava-se de julgamento de Dilma e Temer, no qual, entendia que ele devia alegar-se impedido, conforme preceitua a legislação pertinente à matéria, mas não o fez.

Para os petistas de plantão bastava o voto dele para tirar Temer do Poder e salvar a nação dos corruptos já denunciados pela PGR, homologado pelo STF que circulam nos corredores palacianos, e quiçá, termos a sensação de novas eleições... O Ministro ao emitir seu voto procurou fugir das provas cabais e convincentes constantes dos autos. Fiquei perplexo porque senti que aqueles juízes do TSE que votaram contra a cassação pareciam que estavam articulados para frustrar as expectativas democráticas dos brasileiros. Decidiram fechar os olhos aos fatos, provas e evidências que levariam a chapa Dilma - Temer à cassação num tribunal decente. Se tivesse ocorrido dessa forma estariam ajudando a fazer história, colocando-se ao lado da nação, cujo povo vão às ruas para acabar com a impunidade dos crimes de colarinho branco. E ao confirmar aquele voto perguntei novamente a mim mesmo: Será que os petistas agora vão gritar: "fora Ministro Admar Gonzaga!" Será que o vídeo mostrado na delação da JBS não incriminava mesmo o outro Ministro que ficou nervozinho e quase deu um “xilique” durante a apresentação de seu voto?

Desde os bancos da Faculdade ouço falar a expressão "Voto de Minerva", sem entender às vezes sua origem ou a história que se escondia por trás dessa expressão. Ela tem sua origem em uma história pertencente à mitologia grega. Agamenon, o comandante da Guerra de Tróia, ofereceu a vida de uma filha em sacrifício aos deuses para conseguir a vitória do exército grego contra os troianos. Sua mulher, Clitemnestra, cega de ódio, o assassinou. Com esses crimes, o deus Apolo ordenou que o outro filho de Agamenon, Orestes, matasse a própria mãe para vingar o pai. Orestes obedeceu, mas seu crime também teria que ser vingado. Em vez de aplicar à pena, Apolo deu a Orestes o direito a um julgamento, o primeiro ocorrido no mundo. A decisão, tomada por 12 cidadãos, terminou empatada. Atena, a deusa da sabedoria, que presidia o julgamento proferiu seu voto, desempatando o feito e poupando a vida de Orestes. Neste momento, o voto de desempate passou a ser conhecido como “Voto de Minerva”. Triste não!

Mas por que Minerva se está falando da deusa Atena? Porque Minerva era a deusa romana das artes e da sabedoria, correspondente à deusa grega Atena. O direito romano, que influenciou todo o sistema jurídico ocidental, incorporou a deusa romana à expressão. Eis a razão da expressão Voto de Minerva, também conhecida como "voto de desempate" ou "voto de qualidade". Mas pergunto novamente: Quanto ao voto de desempate no TSE, foi de qualidade? Entendo que não e acompanhando através de jornais e TV vi que as maiorias dos comentaristas políticos estão indignadas com tal decisão. Para mim foi um voto mais político que judicial e explico em face das ligações do Ministro Gilmar Mendes com o Presidente Temer: Em janeiro, os jornais noticiaram que o Ministro viajou a Portugal e no mesmo avião seguia a comitiva presidencial para assistirem o funeral do ex-presidente português Mario Soares. Meses depois Temer e outros políticos participaram de jantar oferecido pelo Ministro em sua residência em Brasília, sempre negando que essa proximidade tivesse influência no julgamento e que as relações com o Palácio eram apenas institucionais, todavia, é sabido que ele é um dos Ministros do Supremo que mais expressam sobre política. Um fato relevante, que me deprime ao ver o seu voto de minerva é que durante do governo Dilma foi um duro crítico do PT, a quem acusou, em 2015, de ter “um plano perfeito” para se “eternizar no poder” – plano este “estragado” pela operação Lava Jato, da qual é publico e notório que o Ministro nutre uma antipatia descomunal. Por fim, cito aqui duas frases para reflexão: Elias Murad disse tudo em poucas palavras: “O Brasil progride à noite, enquanto os políticos estão dormindo.” E o saudoso Jânio quadros: "Aprendi no berço com minha mãe, que não há homem meio honesto e meio desonesto. Ou são inteiramente honestos ou não o são."



 
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