Amigo leitor (a)

Amigo leitor (a). Quando lemos um livro, ou qualquer texto, publicados ou não, que são sinônimos do prazer, por mais simples que forem, sejam reais ou surreais, nos permite exercitar a nossa memória, ampliar nossos conhecimentos e nos faz sentir as mais diversas emoções, por isso, sensibilizado, agradeço a sua visita ao meu Blog, na esperança de que tenha gostado pelos menos de um ou que alguns tenha tocado o seu coração. Noutros, espero que tenha sido um personagem principal e encontrado alguma história que se identificasse com a sua. PARA ABRIR QUALQUER CRÔNICA OU ARTIGO ABAIXO É SÓ CLICAR SOBRE O TÍTULO OU NA PALAVRA "MAIS INFORMAÇÕES. Abraço,Vanderlan

Professor Otávio, meu eterno mestre.

domingo, 15 de outubro de 2017

Professor Otávio, meu eterno mestre.A diferença entre professor e mestre, é que o professor ensina o que a gente precisa, no caso, o básico, já o mestre testa até onde a nossa capacidade pode alcançar, nos fazendo crescer. Partindo desta pequena premissa quero falar do meu saudoso professor Otávio que há décadas está lecionando em outra dimensão. Ele era diferente, nunca me dizia o que fazer, o que estudar, o que aprender, deixava tudo por conta da minha sensatez, da minha vontade de crescer pessoal e  profissionalmente. Ele que hoje já se encontra em outra dimensão, deu-me oportunidades, descortinou meus horizontes, impregnou em minha mente uma vontade férrea de aprender, de como pesquisar, de como saber cada vez mais e mais... Transmitia um amor pelo conhecimento incontestável e pela verdade que tudo o que via pela frente parecia perder a importância; ele mostrava que, se a gente queria alcançar conhecimento, alcançar a verdade, um objetivo na vida, ou seja, lá o que for, a gente tinha que batalhar e lutar por eles, porque a verdade não é manifesta.

Quando a gente encontra um mestre assim, a vida nunca mais é a mesma e eu, entre outros mestres que passaram pela minha existência, tive a sorte de encontrar o mestre Otávio. O que ele e outros nos transmitiram não era dado, não era informação. Talvez seja conhecimento, mas é mais do que conhecimento: era o amor ao conhecimento; era mais do que a verdade; era o amor à verdade. Talvez esteja muito próximo de sabedoria. Quantos, para se chegar a "doutores", não precisaram de um mestre. Certa vez um professor que me abstenho de falar o nome, me disse que o último ano do ensino médio era para a gente se tornasse uma pessoa mais madura e deixássemos de viver de fantasias. Hoje, lembrando de suas palavras entendi que não era tão dirigida pra mim porque sou um aprendiz de escritor e de poeta, sei lá. Só sei que a fantasia, o real e o surreal andam lado a lado comigo, nos livros que leio nas poesias e crônicas que escrevo.

Hoje ao escrever este artigo, que será publicado na próxima quarta-feira, por questão de páginas cedidas pelo DM aos articulistas, comemora-se o dia dos professores, para alguns não há o que se comemorar... Mas eu acredito que temos muito a comemorar; embora ainda sejam muitos os desafios... Justamente pelas dificuldades e obstáculos que enfrentam a cada dia, por superar seus medos e limitações, por ainda acreditar em seus alunos, por ter responsabilidade com a profissão, de poder transmitir conhecimento, porque há sempre algum aluno que respeita o professor e que o enche de orgulho. E por acreditar no seu potencial e quiçá, no crescimento de cada um de deles e que vencerão obstáculos. Formado em direito e fora dos bancos escolares hoje o tempo tem sido meu professor, e sua principal lição é ter me ensinado a ter paciência necessária, me ensinado de como esperar, pois aquilo que queremos colher requer algum tempo.

Há aqueles que lutam para aprender e reter conhecimentos; há os que aprendem se dedicam e não medem esforços para ensinar. Não se trata apenas de amar a profissão, mas ter o sagrado dom de amor ao próximo. Hoje e todos os dias é tempo de aprender e de homenagear a quem ensina. Meu eterno agradecimento aos meus professores de infância, por terem lapidado e me ensinado a andar por caminhos até então desconhecidos. Por fim, termino com a frase do escritor, professor e pesquisador Augusto Cury: “Professores brilhantes ensinam para uma profissão. Professores fascinantes ensinam para a vida”.



Será que a falta de visão pode aprisionar nossa mente?

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Sou do signo de Aquário e até concordo da forma de como os astrólogos o define. Dizem esses estudiosos que ele é um signo progressista, de vanguarda, pois é regido por Urano, planeta das mudanças súbitas, da inovação de pensamento. Dizem mais que o signo de aquário representa o futuro, as reformas sociais e tudo o que é alternativo. Aquarianos além de enxergar o infinito, vivem cem anos na frente, não se deixam aprisionar e valorizam a liberdade, a independência, a amizade e a fraternidade. São imprevisíveis, idealistas e criativos. Então, se é assim definido e fazendo parte daquelas pessoas que não têm a mente aprisionada por falta de visão, pareço que encaixo nas entrelinhas deste preâmbulo.

A alegria que carrego comigo é fruto de uma vida cheia de oração, de comunhão com Deus, de treinamento e conquista pessoal e profissional. Entendo, no entanto, para se chegar a isso é uma virtude que precisei conquistar e exercitar, aprender, até que se firmasse como uma parte de minha personalidade. Todavia, entendo também que não importa qual signo, o que interessa é que todos possam se unir e semear somente ideias positivas, colher os frutos da sabedoria e da alegria de viver aqui na Terra.

Eu, você e as pessoas que nos cercam somos seres humanos, um ente social que precisa viver em sociedade, não importando qual tipo seja, pois cada uma apresenta culturas próprias, tradições, crenças, valores os quais são moldados pelo modo de pensar dominante que vai sendo incorporado em cada novo integrante da mesma. O indivíduo desde os tempos remotos são treinados para a autodefesa, a preservação desses valores e crenças, não obstante faltar em muitos os preceitos de honestidade, dignidade, amor e respeito. O que observamos ultimamente é que a humanidade está doente e coisas horripilantes vêm acontecendo diariamente, uma matança sem dó ou piedade mostrada peça TV, deixando-nos incrédulos e sem entender o porquê de tudo isso. Está faltando respeito ao semelhante e nem sabemos de onde vem o ódio; está faltando respeito, inclusive, aos integrantes mais frágeis da sociedade, como também aos animais e à natureza. E por falta dessa visão é que se nota que a mente humana não está sã, de alguma forma aprisionada, e é através dessa descoberta, por mais experientes que formos e se não haver justiça social nós jamais seremos capazes de curarmos dessa cegueira.

O grande perigo que nos cerca cotidianamente quando sentimos essa falta de visão é quando cai sobre nós uma sombra coletiva, a qual aprisiona nossa mente e se transforma numa sombra individual que pode ser incorporada ao nosso modo de pensar e que a gente aceita como verdade devido à ignorância e a falta de reflexão de cada, e assim, passamos a agir segundo sua orientação, e em razão disso, passaremos a sofrer todas as conseqüências decorrentes dela. Porém, entendo ser impossível abrir os olhos de quem quer continuar na escuridão da cegueira, limitando-se ver o mundo em sua volta a qual, na realidade, podemos dizer que a cegueira maior é quando não enxergamos sequer a beleza do mundo que existe dentro de nós.

Eu como tantos outros indivíduos sempre procuramos mudar a nossa rotina, mas, quanto aos nossos valores, muitos de tão arraigados, nem se cogita em refletir sobre eles, se estão corretos ou equivocados. A sociedade em que vivemos às vezes traz novos conceitos, novas ideias pra ela, e para isso, urge impor uma nova moral, novos modos de como agir e até criação de legislação específica. Quando não se sabe as implicações que o novo pode causar na vida, melhor é agirmos com prudência; não deixando que nada se aprisione a nossa mente e nem deixemos que nos force comprar “alguma coisa” sem antes analisá-la. O indivíduo deve sempre usar a inteligência e o discernimento para avaliar o que há por trás das ideias que surgem a cada instante no seu convívio. 

Habitamos na Terra e isso é fato, mas jamais podemos desconhecer que é uma dádiva divina, por isso e crendo, jamais deixemos que a falta de visão aprisione nossa mente, pois é a grande oportunidade que temos de iniciar a reparação de erros ocorridos no passado. Precisamos, com toda nossa força, com toda nossa vontade, com todo nosso empenho, aproveitar a oportunidade de estar habitando este planeta que logo pode nos dar a condição de termos um ambiente onde a tendência ao bem seja a tônica.

Por fim, reafirmo que a falta de visão realmente aprisiona nossa mente, então, devemos conscientizar-nos que ser fraternos e estender a mão ao mais humilde são simplesmente uma questão de escolha, e de alguma forma, está libertando sua mente que, talvez, se achava prisioneira. Essa cegueira mental está relacionada ao egoísmo, à ambição, ao ódio talvez criado sem motivo algum, à falta de generosidade e os interesses pessoais, que são muito mais importantes que os interesses de um grupo. Graças a Deus nós temos a dádiva de Tê-lo com a gente todos os dias, nos direcionando em busca do bem e para que possamos escolher o caminho da fraternidade e, com isso, merecermos ser habitantes da Terra em sua nova e breve etapa, e caso não consigamos esse intento nesta existência é porque estamos com a mente aprisionada, resignada, todavia, aquele que crê na existência de um Pai Celestial e não tem visão aprisionada, sempre existirá esperança.





Nascer de novo.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Se vocês tivessem que nascer de novo, acredito que a sua cegonha não repetiria o mesmo trajeto, pois, caso contrário, trariam com ela os mesmos erros. Voltariam a sair com a mesma chupeta, com a mesma mamadeira, sopinha e mingau; com o mesmo sapatinho, com o mesmo carrinho e outros componentes para usar aqui na Terra; voltariam crescidos ou não, a comer guloseimas que os abasteceriam do famigerado colesterol e não nadariam em rios da cidade por medo da poluição; voltariam com a mesma mania de perfeição e dificuldade para relaxar. E por mais que tentassem serem uns “sugismundos” da vida, talvez, retornariam mais higiênicos do que nunca, seguindo as melhores vibrações de seus signos, isto, se vocês nascessem novamente no mesmo período zodiacal. Não sei se isso acontece comigo, mas sinto renascer em mim aquela criança escondida, trazendo-me a tona o meu passado, mas de forma linda e feliz, Ao recordar essas nuances da vida tudo meche comigo, pois chegam do nada, inesperadamente bagunça minha cabeça e desorganiza meus sentimentos que há muito tempo demorei organizar. É tipo assim: um furacão que faz um estrago danado em mim. Diante de tudo isso, dou uma pausa, mas não chego à conclusão nenhuma e em razão disso é que insisto. Mas sei que gostaria de nascer de novo, mas se nascer dava um reboliço em minha vida, renasceria para trocar algumas lágrimas e dores sofridas no passado por belas gargalhadas, e a seriedade, por sorrisos e simpatia, não sei como, mas é isso é o meu desejo.

Se vocês quisessem viajar mais leve, não poderiam nunca voltar noutro signo, ainda mais se algum for oposição a ele, pois voltariam com a mesma tendência de viajar levando malas cheias de problemas e a dor de cabeça viria. Se vocês quisessem renascer com menos problemas imaginários, seria bom nascer numa hora diferente, de preferência longe do anoitecer, pois além de não encontrarem médicos de plantão, voltariam ligados ao mundo imaginário e isso é bom. Não seriam os profissionais ou escritores de renome neste século Não conseguiriam escrever obras de ficção ou outras que o imortalizariam, posto que, "ter problemas imaginários" é um pressuposto básico de um escritor que desenvolve obras de ficção. Eu procuro desenvolvê-las e se pudesse gostaria de nascer de novo, pois o meu prazer sempre foi à escrita: Se nascer de novo eu quero continuar encasular-me nas letras, transformá-las em palavras poéticas. Se eu nascer de novo eu quero continuar poeta, renascer na poesia, e usando as asas da imaginação voar como a uma borboleta e sonhar.... O que é escrever um livro de romance ou frases poéticas senão usarmos o imaginário, mas, certos de que demonstrariam como teriam sido em vão nossas vidas caminhando descalços, fazendo sombra ao sol, contemplando o amanhecer e entardecer.

Nascer e renascer todos os dias é maravilhoso, pois temos a oportunidade de escrever nossa história de forma magnífica, teremos muito que contar e escrever, por isso não devemos parar. Nossa vida é feita por capítulos e assim vai... Os especiais nós devemos mantê-los preservados, como um tesouro a serem lidos e relidos sempre, pois jamais cairão no esquecimento. É como no quadro negro da vida, ou como aquele pendurado na parede do colégio. A área negra do quadro é sempre muito superior à área branca, escrita a giz. Isso faz parte da sabedoria da popular, já que são os "maus momentos" que nos fazem avançar adiante. Estariam antes disso, exultantes por partir, não querendo nunca mais voltar ou nascer de novo. Ao idealizar uma situação contrária à que vivemos, estamos apenas elaborando um quadro negro imaginário para escrever e reforçar a história da nossa própria vida aqui na Terra




Realmente cansei.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Quando comecei a escrever este artigo senti-me sem otimismo e não conseguia ver as coisas do modo que elas são por mais que tentasse. Senti-me cansado demais, exausto. Cansado de tudo, do mundo real, do palpável, do prático, do imaginário, do surreal. Cansei da visão fantasiosa sempre contrária ao mundo real. Cansei de escrever; cansei do trabalho maçante e de tudo aquilo que estressa; cansei de reclamar do errado e das coisas erradas; cansei daqueles que fazem denúncias vazias, caluniosas, difamatórias e não enxergam o seu próprio umbigo. Cansei até do elevador, onde às vezes cruzo com gente rancorosa, que me olham de soslaio, mas felizmente, a maioria delas é especial. Cansei de passar pelo mesmo trajeto onde passam os imprudentes, irresponsáveis, que fazem ziguezague com seus veículos nas ruas e avenidas da cidade. Cansei do bonito que a natureza mostra, mas sempre é desrespeitada; cansei das destruições mostradas pela TV; cansei da ilusão de beleza que se vê em cada rosto. Cansei, cansei mesmo, até de mim! Ah, se cansei! Cansei das notícias veiculadas repetidamente pelos jornais e televisão; cansei das novelas que levam exemplos ruins aos lares brasileiros. Cansei da leitura de páginas de jornal, das vozes de alguns radialistas e apresentadores que judiam de nossa língua pátria, as quais surfam nas ondas do rádio maltratando nossos ouvidos. Cansei das desgraças que são repetidas nessas parafernálias eletrônicas, onde uns copiam cenas de outros, e outros, querendo ser mais engenhosos, encenam o mesmo ato criminoso usando apenas outras posições, fazendo montagens inversas, destacando o choro em outros tons e destoa a comoção no verso e anverso de fitas gravadas. Cansei do julgamento onde se destaca um surpreendente julgamento que ao final sabe que poderá tornar-se uma pizza, recheada de votos “pensados”, extraídos do ódio ou inveja contra alguém que se sobressai, abusando de códigos defasados que são descritos na plácida sentença que se o povo tiver juízo não aceitará. Cansei da forma em que retratam a comoção de um povo, do falso novo, do falso velho e principalmente, do anverso dos dois porque quando colocados inversamente são definidos pelo Aurélio como falsos. Cansei do que os olhos são capazes de enxergar perto ou à longa distância. De perto, tenho que usar óculos de grau, e isto me cansa; de longe, enxergo coisas que não deveria enxergar; coisas que não presta e aí me constranjo, canso.

Dias atrás após assistir a um julgamento pelo STF, senti que queria algo verdadeiro, diferente, que vai além daquilo que penso. Quero o poder da premonição, de ver o futuro, sem desfazer do presente. No teatro da vida quero a inversão de papéis entre atores e atrizes, sem que haja a inversão de valores e o texto na tela interpretado não vire realidade e a realidade mostrada, não vire sonhos amorais ou imorais, e se virarem, que sejam distante de minha realidade. Entendo que devemos respirar novos ares, ter novos hábitos, ideias, emoções, desejos, pensamentos, isto é tudo que quero, e se puder, esconder dentro de mim. Quem sabe se isso vir a acontecer tudo possa ser diferente em relação ao que tenho hoje, se não puder ter, então serei obrigado a desejar que o hoje renasça novamente.

Mas, quão difícil é ser diferente e não cansar de tudo. Quando chego ao meu lar à primeira coisa que não quero ouvir é o zunido do elevador, o tic-tac do relógio, a torneira que mesmo fechada, insiste em soltar gotas fazendo barulho sobre um vasilhame, um som rouco: tum... tum..., nem paro para contabilizar os ruídos. É justo. Estou cansado. Nunca importei muito com o que acontecia ao meu redor, mas hoje paro, penso, observo e fico decepcionado com os políticos e a justiça, não dou atenção aos mínimos detalhes televisivos. É o cansaço. Quando sento à mesa e sirvo-me com um pouco de café adoçado com algumas gotas dietéticas e pão francês, então me acalmo. Ainda bem que a gota dietética é silenciosa.  Tomo o café e com um sorriso inacabado ligo a TV. Novamente aparecem as desgraças de ontem, hoje reprisadas. Mudo de canal e lá vêm outras notícias e digo: espera ai! Eram as mesmas cenas do outro canal, e então percebo que a minha mente poderia estar atabalhoada. Aquela reprise não era real. Desligo a maldita TV. Vou ao quarto e olho no espelho para ver se continuava apresentável, pois o trabalho desgastou-me. Mirei fundo nos meus próprios olhos que se arregalavam diante do espelho e me vi vítima da rotina que eu mesmo criei. Eles também estavam cansados. Tirei a gravata e aquiete-me. Pode ter sido só mais um dia ou poderá ser o último se eu pudesse prever o meu futuro, mas o que importa é que eu nada planejei.

Quando disse no preâmbulo que cansei do imaginário, não posso afirmar isso em relação aos amigos e amigas, sejam virtuais ou não, pois eles são como os sonhos: estão com a gente aonde quer que estejamos; aonde a gente quer estar, e ninguém pode podá-los ou impedi-los de existir, pois só nós o vemos e acreditamos neles. Os amigos que me acompanham pelas ruas solitárias da vida nunca me deixam no meio do caminho e me impedem de ficar sozinho, porque somos pessoas que correm atrás de um propósito, de um desiderato para continuar andando em busca de um caminho cheio de luz, não só os iluminados pelos raios do sol ou da lua, mas também, em busca daquela luz que brota dos lindos olhos de alguém que a gente preza muito, alguém que nos espera diariamente e nunca nos cansará. À bem da verdade, acreditar no improvável, no impossível e no imaginário sempre foi meu norte. É bom viver no mundo dos sonhos, mas hoje eu cansei.

Realmente cansei, até de mim mesmo. Parece que estou com uma grade em meus olhos. Uma grade embaçada que me impede de enxergar e de ver o óbvio. E assim sou obrigado a me manter parado, sem dar um passo à frente ou para trás, talvez por medo de cair num precipício que a própria vida constrói. Essa grade está repleta de memórias insolúveis, indecifráveis, uma grade que me isola do mundo, que impede meu coração de bater como antes batia. Tudo isso me fere, me cansa, me isola, e noto que o meu tanto faz também se cansou daquilo que tanto fiz. E neste lapso de tempo posso ter conhecido gente que implica por qualquer coisa, hipócritas, invejosas, sem caráter. Posso ter caminhado por estradas tortas e deitado sobre relvas sombreadas por galhos secos de árvores milenares, sem esperança de obter certezas e ouvir melodias tocadas e cantadas por alguém que não existia e que eu mesmo inventava. E olha que me preocupo com o vozerio de vozes e sons que vem das ruas, do zunido do elevador, de cada gota que cai da torneira, do chuveiro, do tic-tac do relógio ou dos noticiários dos jornais, rádios e TV, mas, tudo isto, não faz de mim um ser insensível, incapaz de enxergar o sorriso angelical de alguém ou as lágrimas que saem dos olhos da minha amada que dada a sua firmeza de espírito jamais as deixa cair ao chão. Leitor, não se deixe sangrar por essas palavras. Não se deixe sangrar mesmo, pois no fim a verdade sempre aparecerá, e as que tento expressar, pode ser apenas uma situação momentânea a mim postergada por alguma coisa surreal ou um ente estranho, que me cansou e fez com que eu criasse situações fantasiosas extraídas de um mundo que não se sabe se é ou não real. 



Insista, persista, não desista.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Jamais vou entender vontade de alguém quando fala em desistir, de não insistir, medo de voltar atrás, para algo que acha que acabou. Não se deixe desistir, insista, persista no seu intento e procure não esquecer o passado, se alegrar com o hoje e o dia seguinte. Só você pode lhe dar a oportunidade de experimentar no dia seguinte um café com leite, acompanhando de pão francês amanteigado, e num lugar qualquer...

Devemos insistir em coisas  certas e buscar respostas concretas, deixando as incertas vagar no mundo das incertezas, mas infelizmente podem não existir, entretanto, insista. Permita-se ao longo dos anos vividos ou aos que você falta cumprir aqui na terra, ser você mesmo e evitar magoar quem já se cansou de fazer isso com você.

As lacunas impostas pela vida podem ser preenchidas de várias formas, possibilidades, entre abraços e mãos estendidas… Mas o que define sua intensidade é a dosagem aliada à sua maneira de ver a vida. A gente pode até se enganar, achar que tudo foi esquecido, que a borracha do tempo apagou, mas nunca deixe de lembrar que jamais esquecerá. E se fazendo esse jogo de forma inversa às vezes chega-se a colocar a culpa nos outros das brincadeiras que nós mesmos aceitamos brincar… Se você não insistir, ou persistir naquilo que almeja, lembre-se que a sua desistência pode não ser passageira e quem pilota sua vida é você.

De fato são tantas as palavras talvez que a gente se pergunta: Será que talvez valha à pena insistir. Será que talvez dê certo ou talvez não. Tudo isso pode estar vindo de amor platônico que é normalmente utilizado para se referir às utopias ou algo praticamente impossível de se realizar e tornar-se o pior elemento da face da terra. Ele nos permite ter dúvidas cruéis sobre tudo que está relacionado ao nosso meio. Insistir num amor platônico talvez não seja somente um amor com ausência de relacionamento físico, mas também com a ausência de certeza que talvez você nunca venha obter, se desistir.

A gente começa a idealizar algo que não seja nosso, algo talvez irrelevante e que a outra parte não saiba ou nem a conheça. E discordar da idéia do filósofo Platão seria um equívoco. É só passar algumas pessoas na rua, mal vestidas ou com trejeitos estranhos, muita gente já as coloca num falso pedestal. De repente começa a caçoar delas, os pensamentos vão e voltam tão obsessivos que tudo que faz se tornam mesquinhos.

Talvez não seja nada disso! Novamente a palavra talvez volte a fazer parte desta crônica. Talvez possa ser que esse grande amor que você tem como ideal, ser uma pessoa que você deseja ser, possuidor de uma amizade pura, de um amor inconteste, tão forte o que sente por alguém que nunca verá e não insistirá em colocar os pensamentos e sentimentos com a mesma vibração. O grande problema é que ao invés de pensar em não desistir, a grande maioria só pensa negativo. A minha orientação é a gente é tirar e afastar qualquer pensamento negativo! Mandar embora todos os 'talvez' ou até o “se”, muito usado. É salutar trazer a certeza e a positividade pra dentro de si. Relaxe, pois acima de tudo possuímos diferentes fantasias na cabeça, e andamos com o pensamento alhures, perguntando a nós mesmos o porquê vem ocorrendo e ainda o lamentam por algo que ainda nem se sabe ao certo.

Será que a palavra talvez seja a minha ou a sua palavra? “Será um incentivo para a gente dizer “Eu vou lutar, insistir”; “Eu vou persistir naquilo que acho certo” "Eu não vou desistir de alcançar o meu objetivo" Mas, convenhamos, talvez, tudo dependa somente da gente! Talvez a culpa nem seja do talvez, mas sim, nossa.



A morte não vem a galope

quarta-feira, 13 de setembro de 2017


Certo dia um homem montado em sua égua Pestana passava por uma estrada deserta clareada apenas pela luminosidade da lua minguante que mais parecia um pedaço de queijo. Ao redor dela, estrelas que se perdiam de vista... A estrada era de chão batido, mas mesmo assim seguia apreensivo porque naquela região corriam boatos, não raros, de assaltos e crimes... Com o ouvido aguçado logo ouviu a poucos metros atrás o trotão de outro animal. Sentia que alguém o seguia. Olhou para trás e viu um vulto. Apressou-se, no que foi imitado pelo perseguidor. Chicoteou a égua e saiu a galope. Correu... Enveredou-se por outro caminho. O vulto, também.

Apavorado e em desabalado galope enveredou-se por um caminho estreito. Sequer pensava olhar para trás e nem sentia os galhos de árvores ferirem o seu corpo, o coração disparar, a respiração ficar ofegante, mas logo se viu diante de um casebre pouco iluminado num local ermo daquele longínquo rincão goiano. Pensou em gritar, pedir ajuda, mas, antes, olhou mais uma vez para trás e a claridade do descampado lhe trouxe uma surpresa: O perseguidor era apenas um cavalo baio e a égua, na qual montava, estava no cio e devia estar exalando alguma substância que atraía ao acasalamento. Deu uma risada e mais calmo, desabafou: Meu Deus! O que o medo faz com a gente!

A história deste cavaleiro quer queira ou não, assemelha-se ao que ocorre em relação ao medo que a pessoa humana tem da morte.

A imortalidade é algo intuitivo na criatura humana. No entanto, muitos têm medo, porque desconhecem inteiramente o processo e o que nos espera no mundo espiritual. O casebre à beira da estrada, iluminado por lamparinas, que fiz questão de citar nesta crônica foi apenas para afugentar os temores sem fundamentos e inibir os constrangimentos que nos perturbam dia a dia. De forma racional e sem querer interferir na sensibilidade de cada um, quis, com aquelas aparições, esclarecer acerca da sobrevivência da alma e a forma do descerramento da cortina que separa os dois mundos: vida e morte

Entendo ser extremamente importante, fundamental mesmo que percebam isso, já que tratamos de certezas e incertezas, colocando como parâmetro a existência humana num casebre iluminado que poderá ser a nossa salvação, e quiçá, a nossa luz. A estrada que procuramos seguir é e será uma oficina de trabalho para que desenvolvessem atividades edificantes e é através dela que buscamos a renovação espiritual que pretendemos aplicar em nossa existência. Nesse caminho poderá existir até uma prisão, ocorrer uma expiação dolorosa para os que resgatam débitos relacionados com crimes cometidos em existências anteriores. Esse caminho é uma escola para aqueles já compreendem que a vida não é simples um acidente biológico e nem a existência humana para uma simples jornada recreativa. E de certo modo não é o nosso lar. Este está no plano espiritual, onde poderemos viver em plenitude, sem limitações impostas pelo corpo carnal. E de fato é compreensível, pois, que nos preparemos, superando temores e dúvidas, inquietações e enganos, a fim de que, quando chegar a nossa hora, estejamos habilitados a um retorno equilibrado e feliz.

Então, não se apoquente monte no seu cavalo espiritual, não importa o trotão e qual cor dele, apenas siga em paz, sem medo de ser feliz, deixando sempre à frente o nosso Pai Celestial, pois ELE é que mostrará a estrada segura. O primeiro passo é o de tirar da morte o aspecto fúnebre, mórbido, temível, sobrenatural que nela possa existir... Existem pessoas que simplesmente se recusam a conceber o falecimento de uma pessoa da família ou o seu próprio. Têm receio de discutir e transfere o assunto para o futuro incerto. Por isso se desajustam quando chega o tempo da separação morte nada mais é do que o passaporte para a verdadeira vida eterna.

Caro leitor, é importante que reflitamos sobre tudo isso, não nos deixando dominar pelos bens aqui na terra dos quais somos apenas usufrutuários. Um dos motivos de sofrimento dos que ficam, é o fato de não terem se dedicado o quanto deviam àqueles dos quais se despediram. Por isso, convém que, enquanto estamos a caminho, façamos de modo cadenciado como aquela égua, o melhor que possamos em prol de nossos entes queridos, para que o remorso depois não dilacere a nossa alma.


Nina e as gotas de orvalho

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Sentado no mourão da porteira respirava ar puro e o meu corpo recepcionava uma chuva fina, mas intermitente. O sol timidamente voltava a aquecer as gotículas de orvalho que dançavam sobre as folhas e pétalas das flores que circundavam o moirão. Apenas uma lembrança, não, uma sensação percorria minhas entranhas e chegava ao coração. Talvez algo que não me incomodasse tanto, mas latejava o tempo todo que não me deixava esquecer aquela bela menina da cidade de Pontal.

Desci do mourão, mas o que fazer? Mobilizei-me rumo às flores e dirige-me ao campo tentando segurar a mim mesmo, pois um movimento interno aos poucos foi tomando forma, se firmando, até explodir como a um pensamento, como a uma verdade subconsciente impregnada na região recôndita do meu cérebro, interiorizada, que ia brotando aos poucos. E depois de tantas caminhadas por este mundão de meu Deus, de ver tantas portas se abrir e fechar, numa delas eu a encontrei, ela estava lá, de braços abertos como aquela gota de orvalho que tinha se impregnado naquela folha ao lado do mourão da porteira e que eu tanto apreciava. E, que prazer eu senti, que delicia ter ouvido sua voz. Fiquei estático como aquela pequena gota do orvalho junto ao mourão da porteira. As folhas que caíram com a brisa, tão frias, do primeiro sopro do dia foram levadas pelo vento. Pensativo e com o pensamento alhures, abri os olhos e os agucei rumo ao horizonte. O sol ainda não havia nascido, e tão belo era o horizonte avermelhado e as nuvens, pequenas e esparsas que coloriam a atmosfera com os primeiros raios de sol. Abri os braços e me perdi na imensidão do céu, senti o calor do sol tocando minha pele e o regozijo das arvores que dançavam ao sentir o vento delicado que vinha do sul, derrubando as únicas folhas secas que pareciam gritar em meu ouvido, “acorde, estamos já num novo dia!”.

Desci do mourão e adentrei-me ao casarão feito de assoalho de tábuas e paredes de puro adobe. Na sala me abracei no espelho. Voltei meus olhos rumo à janela e ainda vi sutis gotas de orvalho escorrer levemente sobre o portal. Fui até o quarto e dormi profundamente. Horas depois uma translúcida luz que vinha do céu passou pela vão da janela despertando-me de vez e o amanhecer ao longe surgia. Levantei e soltei um sorriso repleto de mim mesmo, daqueles autênticos vindos da alma, depois saí e massageie minha mente. Viajei no mundo da imaginação. Fui à busca daquilo que sempre sonhei e à busca de mim mesmo. Meus olhos brilhavam, o tempo passava lentamente, o dia tornou-se gigantesco e a noite sem pressa apareceu detrás dos montes. Pássaros em final de tarde cantavam sons tão suaves que tornava aquele rincão mais aprazível, trazendo a brisa mais refrescante e a noite mais amena. A natureza é assim mesmo, pois quando amamos a vida ela nos ama de volta, quando a gente faz bem, ela nos traz o bem, quando preenchemos o vazio, ela afasta a solidão. Por isso, em qualquer lugar que estiver ame-se. Seja dia frio ou chuvoso, ame-se. Sendo quente ou abafado, ame-se. Pois um dia de tanto se amar as pessoas também aprenderão a se amar, assim é a vida, viva o bem, pois como diz o ditado: que mal tem?

Quando se fala em amor pode passar dias, meses, anos e séculos e sua janela jamais estará vazia de gotas de orvalho que escorrerão sobre sua madeira e no fim verás um mar azul; sua mente voará sem asas prevendo o seu futuro e o trará entrelaçado entre seus dedos. Tudo isso é a sintonia do universo que pairará sobre sua essência e algo lhe dirá que um raio de sol se abrir timidamente trazendo-lhe do resplendor azul toda sua vida que talvez nem a viu passar, mas passou, assim como, todos seus suspiros que se ecoaram pelo universo afora, mas certo de que ele trará alguma “coisa” em forma de mulher, que timidamente, se aproximará de seu jeito acanhado, de seus medos e suas dores e aflições que se misturarão com a sensação tão bem captada pelo coração. Naquele rincão algo me dizia que Nina, aquela menina-moça passaria o resto dos seus dias comigo, mas não sabia se para sempre, mas mesmo que ela não esteja presente aqui na terra o meu mantra continuará viajando sobre constelações sempre a observá-la.

O tempo passou e pouco vou a aquele moirão da porteira. Hoje sou como aquelas gotas de orvalho que precisam da leveza do vento, da amena tempestade, da delicadeza do orvalho, da firmeza do sol, da pureza da chuva, da imensidão do rio, da calmaria humana e da sensibilidade da lágrima, enfim, sendo eu simples poeta, que dizem imortal, preciso muitas vezes ter a grandeza de um oceano que é capaz de alcançar horizontes onde todos produzem substâncias simples, mas potentes o bastante para transformar e se adequar as situações mais inusitadas.


Ao meu amigo Demóstenes Torres: "conversas telefônicas e o seu valor probante

terça-feira, 29 de agosto de 2017

“Conversas telefônicas e o seu valor probante”. Publiquei este artigo no jornal Diário da Manhã no dia 08 de maio de 2012, postei em meu BLOG e em outros meios de comunicação da Internet. Hoje com o coração em júbilo pelo reconhecimento da inocência de meu amigo Demóstenes Torres pelos Tribunais, não poderia deixar de reprisá-lo porque sempre acreditei na sua pessoa e em seu caráter, pois o conheci bem antes dele se tornar Promotor de Justiça. Tempos idos eu tinha um escritório de advocacia no Edifício Palácio do Comércio, Av. Anhanguera, cuja sala ficava ao lado da dele, sempre saímos em finais de tarde para um bate papo e aprendi muito com ele. Tempos depois, tive a satisfação de vê-lo no exercício de Promotor de Justiça. Eleito Senador da República também tive o prazer de visitá-lo no Senado Federal junto com outros amigos ambientalistas, Leandro Sena, na ONG +Ação; Antônio Souto, da GEO Ambiente (falecido) e Marcos Vinícius de Abadia, agente penitenciário (assassinado), que incentivados pelo Batista Custódio, Diretor Geral do Diário da Manhã, fomos até o ilustre Senador e recebemos dele irrestrito apoio, intercedendo junto a Ministra do Meio Ambiente, a qual, juntamente com ele e outras autoridades, sobrevoaram a região do Araguaia e com isso evitamos a construção de uma Usina hidrelétrica naquele rio.

Durante o voo, aquelas autoridade públicas ficaram extasiadas diante de tanta beleza, e no vai e vem dos helicópteros, olhavam para baixo, meio abobalhadas, algumas sorrindo e outras, cabisbaixas, certamente não tinham sido atingidos pelo cerne da sensibilidade dos enternecidos, que entre os solavancos da bela máquina voadora, sequer se lembravam dos burburinhos e poluição da cidade grande. A imagem bucólica do Rio Araguaia surgia com toda a força sem interferência de ninguém, e nem poderia, evidentemente, mesmo se quisessem. Naquele domingo, o Rio Araguaia mesmo desconfiado com tanta pompa, mas ciente de que quem o sobrevoava naquela maquina voadora era a Ministra do Meio Ambiente, pessoa sensível, inteligente, que não se aquietou, olhou para o leito do rio que parecia sorrir, pois sentia que a Ministra ao vê-lo lá de cima ia protegê-lo da ação do homem.  Ladeado por matas ciliares, dos perfis da vegetação, das erosões em sua nascente, perto do Parque Nacional das Emas, a Ministra deve ter entendido que o Rio precisava ser   preservado, pois além de exuberante e belo, gera riqueza, alimentação e é de vital importância ao meio ambiente.

Não poderia além do preâmbulo acima deixar de citar estas frases: “Se o homem praticasse ouvir a voz de sua consciência, aprenderia que a voz da justiça é uma música que todos precisam tocar e cantar afinados”. “Os piores políticos são aqueles que praticam a tirania em cima do povo e fazem das leis e da justiça um álibi para suas ações”. Por fim, ao ler a notícia sobre o meu amigo Demóstenes Torres, restou-me reprisar abaixo o texto publicado em 08 de maio de 2012, porque aquilo que se escreve expressando a verdade fica registrado nos anais da história e torna-se uma prova cabal e indiscutível de que eu e tantas outras pessoas acreditávamos na sua inocência.

Pois bem, vamos ao texto. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso foi criada a Lei nº. 9.296, de 24 de julho de 1996, que regulamentou o inciso XII, parte final, do Art. 5.º da Constituição Federal, que preceitua sobre a interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova em investigação criminal e em instrução processual penal, desde que seja observado o disposto da citada Lei, dependendo para sua consecução, de ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de justiça.

Os princípios básicos de não admissão da interceptação acontecem quando ocorrer às hipóteses da não existência de indícios razoáveis da autoria, participação em infração penal, à prova puder ser feita por outros meios disponíveis ou o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção, todavia, em qualquer destas hipóteses, tudo deve ser esclarecido com clareza, com indicação dos meios a serem empregados, além da preservação do sigilo da diligência, gravações e transcrições respectivas.

Partindo desta premissa e no afã de enaltecer e reportar o excelente artigo do renomado jurista e Juiz Federal Dr. Ali Mazloum, resolvi escrever e fazer uma análise das conversações telefônicas no que tange a atuação da Polícia Federal em relação à Operação Monte Carlo. Se tivermos como base a Lei acima mencionada há de se chegar à conclusão que essas conversações não tiveram nenhum valor como prova, mas somente um meio de obtenção de provas. Ademais elas têm que ser materializadas e até o presente momento não foram como reportou o meu amigo Dr. Adel Feres através de seu Email. Diz ainda o nobre colega advogado, a seu ver, que o vazamento de escutas telefônicas segundo a mídia tinha a intenção de atingir a imprensa, especialmente a revista Veja e o Governador de Goiás. Concordei também quando ele disse que Lula, à época Presidente da República, apadrinhou a criação da CPI sem atentar para o fato de que o Ministério Público já investigava os personagens, mas ainda não dispunha de provas para indiciar qualquer ação criminal que seja, obrigando-o, destarte, a abrir o inquérito sem as provas necessárias e convincentes, baseando apenas em indícios.

O Lula, afoito como sempre foi, mais uma vez deu um tiro no pé e o sangue que esguichou respingará em seu próprio Partido, como respingou encharcando-o assim como a todos seus comandados, hoje presos por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro. Nas conversações até agora produzidas e divulgadas pela imprensa provam que a quadrilha não tinha acesso à revista Veja e que a influência sobre o Governador Marconi era exercida através do Senador Demóstenes, o que não deixa de ser natural por serem aliados, mas, como é de conhecimento público, anos atrás eram até adversários políticos.

Disse o nobre jurista e Juiz Federal Dr. Ali Mazloum em seu artigo intitulado “O valor de uma conversa telefônica”: “Para o direito, a espetacularização de uma operação policial não muda conceitos. Nesse sentido, a classificação do crime material, formal e de mera conduta se revela importante mecanismo de valoração da prova. Assim, por exemplo, uma conversa telefônica envolvendo cocaína não comprova o tráfico de drogas. Falta a materialidade do delito. A partir das conversas cabe à polícia diligenciar com o fito de apreender a droga. “O diálogo não é a prova, apenas um meio para a sua obtenção”. “A interceptação como meio de prova, serve apenas para nortear o trabalho policial, na mais que isso”, reafirma o jurista. Então se conclui que em relação à Operação Monte Carlo, as conversas captadas, quando fazem referência a uma terceira pessoa, nem de longe indicam o envolvimento desse terceiro, que fica injustamente ilhado, sem amparo em lastros investigativos, continuando no âmbito da lei exposta, sendo apenas uma conversa, nem mais nem menos. Destarte, nos crimes materiais, a consumação só ocorre com a verificação do evento natural, conforme acima explicitado. Os direitos fundamentais, como a presunção de inocência, a ampla defesa, o devido processo legal, são utilizados como estandarte, atrás do qual, se a lei não for respeitada, vigerão verdadeiros métodos de incrível injustiça, com tratamentos degradantes, desiguais e julgamentos sumários.

Por fim disse o ilustre Juiz que as escutas telefônicas, utilizadas parcimoniosamente, constituem instrumentos de extrema valia no processo de produção da prova, mas não podem ser transformadas em rótulos de culpa colados na testa dos interlocutores. Neste momento em que todos querem se tornar juízes e carrascos ao mesmo tempo, é importante, como alertou ao bom e mau ouvinte: “que é preciso não só reservar um dos ouvidos para ouvir o outro lado, como também é indispensável conhecer corretamente as provas dos autos, se é que elas existem”. Dr. Demóstenes siga em frente porque junto e atrás de você tem muita gente!



O fim do infinito

quarta-feira, 23 de agosto de 2017


Semana passada conversando com um amigo sobre religião ele me disse que não acreditava na existência de Deus. Fiquei pasmo! Jamais imaginava que ele era ateu. Depois olhando bem nos olhos dele perguntei: Amigo se você não acredita na existência de Deus ou de um Ser Supremo, como se explica a beleza do universo, pássaros voando, oceanos, mares, rios, a criatividade humana, o corpo funcionando com perfeição, uma máquina cheia de detalhes que nos faz pensar que alguém criou tudo isso? Pois bem, vou lhe fazer uma pergunta que já fiz a tantas outras pessoas que tinham o mesmo pensamento seu, poucas, mas por incrível que pareça, existem. Então, pergunto: Se tiver der o poder de voar ou possuir uma nave espacial, um disco voador, com combustível suficiente para você chegar até onde quiser alcançar, um lugar que sequer imagina o que me diz? Ele me olhou de soslaio, deu o sorriso maroto e disse: Bem, acho que devo chegar até um buraco negro e ou beirada do mundo. Buraco negro! Beirada do mundo! Resposta meio chula, mas tudo bem. Perguntei novamente: O que existirá do outro lado? O amigo ficou pensativo, coçou a cabeça e não conseguiu responder e foi aí que complementei: A existência de Deus não pode ser provada ou refutada. A Bíblia diz que devemos aceitar pela fé o fato de que Deus existe: "Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam" (Hebreus 11:6). Se Deus assim desejasse ou pudesse simplesmente aparecer e provar para o mundo inteiro que Ele existe não teria graça. Se fizesse isso, não haveria necessidade de fé. Numa parábola Jesus disse: ‘Porque me viu você creu? “Felizes os que não viram e creram’” (João 20:29). Por outro lado, é importante ressaltar que a natureza criada por ELE é poderosa, sobretudo, por sua capacidade auto-regenerativa. Seus ciclos naturais ocorrem e nada é desperdiçado aqui na terra. As frutas que caem no solo se tornam adubo para as plantas que ali florescem. As águas que caem das nuvens em forma de chuva evaporam, criando outras nuvens e estas jorram mais chuvas.

Este ciclo o fim do infinito que intitulei neste texto está com os dias contados. A interferência abusiva do ser humano na natureza faz com que o final deste ciclo se aproxime cada vez mais rápido. E, como todos sabem a existência de algo que possui um fim não pode ser chamado de infinito. As pessoas que passam pelas nossas vidas deixam as suas marcas num ir e vir infinito... As que permanecem são finitas porque simplesmente doaram seus corações para entrar em sintonia com as nossas almas. As que se foram para outra dimensão deixaram seus legados e aprendizados. Nós jamais nos importamos com o tipo de atitude que tiveram, mas com elas aprendemos muito. Com as pessoas vaidosas e orgulhosas aprendemos a ser humildes. Com as carinhosas e atenciosas aprendemos a ser gratos. Com as duras de coração aprendemos a importância do perdão. Com as pessoas que passam pelas nossas vidas aprendemos também a amar, ter bom relacionamento, mantença da amizade, da dedicação, do carinho, da atenção...

Depois de uma pequena pousa na conversa finalizei dizendo ainda para amigo: Um dia você vai procurar o fim do infinito e verás apenas uma estrela dizendo que é impossível alcançá-lo. Pedirás a ela que lhe mostre o caminho, mas será inútil, pois o universo apagará as pegadas como apagará e não amenizará a sua descrença e dor. Um dia a sua descrença ferirá seu coração porque ela foi inútil na sua vida, ficando nele apenas um vazio. Certamente gritará o nome de Deus quando vir a sofrer um acidente ou estiver no leito da morte. Seus olhos impressivos chorarão lágrimas da descrença, mas talvez, um dia qualquer, busque na página da sua vida o pôr-do-sol, o despertar da lua, as estrelas reluzentes, e nelas encontrarás apenas o silêncio e perguntarás a ti mesmo: onde eu errei? Onde foi para a minha fé? Por que insisto na não existência de Deus? Amigo, respostas de imediato não terá, porque até mesmo a natureza se negará dizer.

Um dia quando os seus sonhos forem derrubados pela incompreensão, sentirá no peito a flecha do arrependimento por não ter amado quem muito te amou e ama: o nosso Pai Celestial. A verdade é que um dia sentirás falta Dele, mas espero que não seja tarde demais, pois as lágrimas de um incrédulo, se não curadas, não O trará pra perto de você, porém, Ele, o Onipotente, poderá fazer delas um rio que o fará navegar para bem longe do seu porto seguro e quiçá, encontrá-lo. Para os seus entes queridos deixará apenas a saudade para que possam te acompanhar e saber quanto sua presença lhes farão falta.

Há anos tenho aprendido que o tempo cura, que a mágoa passa, que o ódio e inveja se evaporem, que a decepção não mate e que o hoje é reflexo de ontem; que os verdadeiros amigos permanecem e que os falsos, graças a Deus, não mais existirão. Compreendi que as palavras bíblicas têm força, que o olhar não mente e que viver é aprender com os erros, e foi assim que aprendi que tudo depende da vontade e que o melhor é sermos nós mesmos.



Amizades com vígulas, sem ponto final.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Quando se tem hábito de escrever, seja uma crônica, bilhete, carta ou uma mensagem através da internet, pergunta-se se deveria ou não acrescentar ou tirar alguma vírgula. Entendo que não, pois a importância da vírgula é tal que, se a colocarmos no lugar errado, o sentido do texto pode mudar e comprometer o entendimento do texto. Segundo o Houaiss, "vírgula é um sinal gráfico de pontuação, indicando uma pausa ligeira, usada para separar frases encadeadas entre si ou elementos dentro de uma frase". Analisando dessa maneira até parece fácil, mas não é, pois na hora de inseri-la no texto, não é tão simples assim. Então, no texto de hoje, vou usar a vírgula para falar da amizade. No meu ponto de vista entendo que a amizade pode até começar com um ponto, mas quando ela é verdadeira jamais se deve usar ponto final, apenas vírgulas, porque nunca termina. Normalmente ela deve ser especial, algo que damos como especial, assim como aquele orvalho que pousa sobre a folha, e o sol, em chamas, por amor evita evaporá-lo. É importante é entender isso e que saibamos quando não podemos mais caminhar juntos, mas que possamos enxergar nesse possível fim um novo começo ou recomeço sem se preocupar com o ponto final. Afinal a amizade pode ter sido transformada para melhor e a relação pode estar passando por um tipo de mutação. 

Sempre é saudável o começo de uma amizade, mas que aos longos dos anos de convivência, irá passar por uma metamorfose quase inevitável. Mas porque ocorre isso? Somos humanos e como ser humano tudo que ocorrer é imprevisível. Um possível desgaste poderá ocorrer também enquanto não houver respeito e pelos menos resquícios de amor no coração de cada um. Saudável também é o recomeço que nos permite desfrutar de uma amizade que foi duradoura, sem saudosismo crônico ou arrependimento pelo que poderia ter sido, infelizmente ou felizmente não foi.

Esmiuçar os fracassos e distribuir as culpas de uma amizade que se evaporou há décadas é perda de tempo. Cabe a cada um discernir o que aconteceu e se possível, ficar em silêncio, porque se tratava uma pessoa amiga que nunca traiu. É claro que haverá a saudade, talvez a lembrança do que ela significou pra gente um dia, mas haverá também o comum acordo, uma espécie de contrato imaginário em que ambas as partes concordam que o que tiveram foi sublime e importante demais para que continue. E, ademais, caso tenham também que ouvir falar mal um do outro depois de uma prazerosa convivência. E por ser tão sublime e único, neste caso, entendo que a amizade realmente merece um ponto final. E sabe por que devem colocar ponto final? Porque continuar com a amizade esmiuçada à boca miúda seria constranger o sentimento que a sustentou, seria assistir submissos à transição lenta e progressiva de algo que um dia deu certo para um ciclo de culpa, de cobranças, de raiva, de falta de admiração. E é sabido que quando se perde o respeito e a admiração, perde-se a essência e o propósito de uma eterna amizade.

Eu detesto ver um texto sem sua devida pontuação, principalmente do uso da vírgula. A vírgula faz muita diferença no sentido das frases. Não sou muito bom em língua portuguesa, mas me esforço muito para cometer menos erros. Quando escrevo errado é como me perder no universo mórbido e não retornar ao início de tudo, principalmente quando me sentir combalido e insuportável aos olhos de quem lê. Todavia, fico esperançoso de que as minhas mãos se soltem sobre o ombro da pessoa amiga e mesmo cansadas, possam acariciar e acalentá-la. Se eu conseguir finalizar o texto que ele chegue silencioso, que se instale e tome forma numa troca de mensagens ternas, reafirmando a cumplicidade latente: ambos saberão que realmente se chegou ao fim. Aceitarão o conteúdo. Encenarão um adeus, e aí sim, poderão colocar ponto final.

Além dos aspectos delineados, há que se ressaltar que a vírgula por si só mantém uma estreita relação com a intencionalidade discursiva, ou seja, sua existência ou não depende muitas vezes da intencionalidade do falante ou da pessoa que escreve. Eis aí o ponto fundamental que nos permitirá chegar ao ápice de uma discussão. Poder-se-ia dizer que a a
mizade deu certo. Deu tão certo que acabou da forma certa e no momento certo. Apesar de se usar muito o chavão, “que foi eterno enquanto durou”, mas por outro lado, procurando entender que a vida não finda ali, no puxar de uma simples mala, na batida de uma porta, no latido de um cão, no silêncio de um celular ou mudez na internet. Entender que o ponto final deu lugar a uma vírgula para evidenciar que não houve ruptura, e sim, para auxiliar numa passagem branda, num antes e depois que diferem apenas na ausência física do outro, mas que não anula os aprendizados e as vivências que ambos experimentaram enquanto foram amigos. Entender por fim que todo esse ato possa permitir aos amigos seguir a vida com outros planos e sentimentos, tendo o término dela como pano de fundo para outros quadros, com outras cores e perspectivas, enquanto seguimos captando novas amizades, procurando não usar ponto final, somente vírgulas, com intuito de manter a alma leve e consciência tranqüila.






 
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